Vivenciei algo que me emocionou bastante e me traz alegria em compartilhar. É motivo para entregar uma crônica mais leve a quem costuma ler meus textos não raramente indigestos. Antes, é preciso dizer que não tenho o costume – ainda que respeite quem o tenha – de publicar fotos de viagens nas redes sociais. O principal motivo? Preservar minha privacidade. Não consigo ignorar o desconforto com a ideia de que possam saber para onde, quando e com que frequência costumo viajar. Superada essa abundante introdução, vamos à história, que justamente se desenvolveu durante uma viagem. Não sei se a fé é inata ou aprendida, talvez seja uma combinação das duas circunstâncias: nascemos com fé latente e, em determinado momento, alguém nos ajuda a despertá-la. Ainda bem pequeno, aprendi com meu pai a orar e tive a feliz oportunidade de ensinar esse hábito à Isabela, minha filha adolescente – do que lhe ensinei, o mais relevante. Ao aprendermos a orar, inauguramos nossa relação consciente com Deus, creio nisso – o único remédio para tudo que não pode ser remediado, a única solução para tudo que não pode ser solucionado. Há algumas semanas, visitamos a Itália, que se encontra no período do jubileu católico, realizado ordinariamente a cada 25 anos em 4 basílicas, simultaneamente: uma no Vaticano e outras três em Roma. Na Basílica de São Pedro, minha filha e eu pudemos atravessar a Porta Santa que, fora do período de jubileu, permanece o tempo todo fechada. Em sua inédita visita àquela igreja, Isabela explorou cada escultura e cada mosaico, com especial veneração silenciosa diante da Pietà. Em algumas ocasiões nos separávamos para admirar obras sacras distintas. Em determinado momento, ela se sentou para descansar num canto da basílica. Eu me afastei para rezar um pouco antes de irmos embora. Ao retornar, encontrei-a com as palmas das mãos unidas, olhos fechados, orando. Registrei a cena com meu celular, a mais bela foto que já fiz. Vejo Deus a todo instante. Não apenas O vejo, também consigo senti-Lo e, quando atento, até ouvi-Lo. E O vi novamente na manifestada fé de minha filha. Ela nem percebeu meu registro, só lhe mostrei a foto à noite. Ah, se Deus nos permitir, voltaremos ao Vaticano no próximo jubileu em 2050. Será emocionante cruzar a Porta Santa após 25 anos. Sei que será impossível repetir aquela foto, mas sua essência está presente a cada vez que Isabela entra em conexão com Deus.
* Coronel PM, advogado e escritor.
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