Aguarde, carregando...

Sexta-feira, 23 de Outubro 2026
Notícias Colunistas

A maioria sempre acerta?

A tribui-se a Winston Churchill haver afirmado: “Muitas formas de governo foram experimentadas

A maioria sempre acerta?
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A tribui-se a Winston Churchill haver afirmado: “Muitas formas de governo foram experimentadas e ainda serão experimentadas neste mundo cheio de pecado e sofrimento. Ninguém quer dizer que a democracia seja perfeita ou sempre sensata. Na verdade, já se disse que a democracia é a pior forma de governo que existe, com a exceção de todas as outras formas experimentadas de tempos em tempos”.
Ele falou isso em 1947, após o fracasso do fascismo e enquanto havia ainda o stalinismo. Dir-se-ia hoje que esse asserto se consolidou. As pessoas não enxergam outra alternativa, que não a democracia. Mas ela não é algo consensual, unânime em todos os tempos e em todas as cabeças pensantes.
Aqui no Brasil já tivemos quem dissesse que toda unanimidade é burra. Por isso há dissenso em relação à democracia. O próprio Platão, concluía que, ao se conferir o direito de voto – ou de escolha – a qualquer pessoa, o resultado seria o governo dos ignorantes. Ou, o que é pior ainda, o governo dos espertos que conseguem seduzir os eleitores.
Não se pense que esta reflexão é teórica. Ela é atual e muito próxima à situação mundial. Por exemplo: a Inglaterra deliberou sair da União Europeia. Cedeu ao chamamento “Take back control”, ou seja, “recupere o controle”. Vendeu-se a ideia de que o britânico, não superior aos demais, tinha os seus interesses lesados ao fazer parte de uma Comunidade em que a maior parte da população era de quase-bárbaros.
Ocorre que há muito inglês erudito dizendo que a maior parte da população britânica não tinha exata noção do que estava decidindo. O Brexit, saída da União Europeia, aconteceu porque gente má mentiu para gente idiota. Isso é o que significa democracia.
Ninguém recusa ser democrata. Mas ninguém admite que ela tem profundas fissuras. Talvez uma delas é não discriminar com base no conhecimento. Os votos são iguais, a não ser os da cidadania do Sudeste, que valem menos do que os da população do Norte e Nordeste, pela injusta equação que prejudica São Paulo, Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e Minas Gerais.
O ruim é que todos são castigados. Os que entendem e os que não entendem. Os que sabem e os que não sabem. Pois a democracia é o regime que garante à cidadania nela permanecer por tempo suficiente para sofrer as consequências de seus erros.
Ou você é adepto do dogma de que a maioria sempre acerta e sempre tem razão?
*Reitor da Uniregistral, docente da Uninove, autor de “Ética Geral e Profissional” e Presidente da Academia Paulista de Letras.    

José Renato Nalini

Veja também

Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR