A nossa esquerda radical, em seus discursos para conquista das massas simpatizantes, mesmo num país que dispõe de leis trabalhistas fortes e uma constituição “cidadã”, apela para o discurso sedutor que em suma apresenta a sociedade com opressores e oprimidos.
Em sua pregação, a condição social inferior vivida por muitos só tem um culpado: as elites. Estas, para preservarem a sua condição superior tudo fazem para impedir que os menos favorecidos tenham a tão almejada e justa ascensão social. Com esse discurso eles se apresentam como os redentores e grandes heróis frente ao inimigo impiedoso.
Depois de anos no poder, vemos que este discurso é pura retórica e não carrega com ela nenhuma intenção ou ação pois muito pouco ou quase nada se fez para se mudar o estado de coisas e também porque, na prática, o tratamento que eles dão às elites é o oposto de sua fala. Foi ao lado de um empresário que o sindicalista ganhou a sua primeira eleição para presidente e foi com essa elite que, em seus governos, foi montada a maior rede de corrupção que o nosso país já testemunhou.
Em outro contexto, em nova abordagem, olhando-se a condição atual em que o país se encontra em que o Supremo Tribunal Federal é o grande fiador de uma ditadura que promove a censura e a perseguição política e o Congresso Nacional, apartado da sociedade que representa, só cuida dos seus próprios interesses, posso afirmar que, sim, a culpa é das elites, que permitiram que chegássemos a esse estado de coisas.
Elite a quem a condição de nossa Educação não assusta pois seus filhos podem frequentar as mais caras escolas, não se importando se o filho da sua diarista enfrenta muitas dificuldades para ter acesso a um ensino de baixa qualidade. Eles não se preocupam com os graves problemas de segurança pública pois podem blindar seus carros, utilizar um helicóptero para se deslocar ou, em condições extremas, buscar a tão almejada paz, num outro país .
Elite a quem a eleição deste ou daquele político não interessa desde que possam se beneficiar da situação de forma licita ou não. Para grande parte do nosso empresariado, não interessam plataformas, reputação do político ou seu comprometimento com a ética e a nação, o que lhes interessa é que, seja quem for, possam tirar algum proveito.
Uma elite intelectual que ao invés de estar debruçada sobre os grandes problemas nacionais, emburrecidos por ideologias, transformaram nossas universidades em centros de doutrinação política, coibindo a busca do diálogo e a disseminação de novas idéias e novos conhecimentos.
São elites que desde o descobrimento, passando por nossa independência e República não assumiram o país e a nação como algo que deve ser por eles cuidado para ser entregue para as gerações futuras. Elites de visão curta e alma pequena. Com sua alma pequena representam a antítese daqueles heróis que protagonizaram a epopéia das Grandes Navegações, feito imortalizado nos versos do poema Mar Português de Fernando Pessoa,
Se os ineptos `tomaram o poder a culpa é dos que seriam mais capazes..
*General Diniz