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Domingo, 12 de Abril 2026

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A aleatoriedade das coisas e o milagre da vida

Colunista *Eduardo Diniz

A aleatoriedade das coisas e o milagre da vida
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Nassim Nicholas Taleb, em seu livro a Lógica do Cisne Negro, sustenta que "eventos fundamentais que moldam a nossa história pessoal e coletiva são, frequentemente, produtos da aleatoriedade”. Taleb apresenta a vida humana como exemplo supremo de uma série improvável de eventos aleatórios. "A existência de cada um de nós é resultado direto de uma cadeia praticamente infinita de pequenos acidentes históricos e biológicos, encontros casuais, pequenas decisões aparentemente insignificantes, condições ambientais especiais, e assim por diante”. O simples fato de existirmos é uma improvável sequência de coincidências que deu certo”, um milagre.

                Respirei pela primeira vez no dia 12 de setembro de 1958. Sabendo-se que no ano de 1958 nasceram cerca de 104 milhões de bebes no mundo, pode-se inferir que naquele mesmo dia teriam nascido em torno de 285 mil novos seres humanos. Naquele dia, fui um em 285 mil.

                Poderia ter vindo à vida de olhos verdes na Escandinávia ou com os olhos puxados e negros em Hakusandake aos pés do Monte Fuji. Poderia ser um bebê que nasceu numa família pobre no sertão nordestino ou um nascido numa mansão nos Jardins na capital paulista. Nada disso, nasci em Itu filho de Geraldo Alves Diniz e de Maria Amália Diniz.

                O que me conduziu a iniciar esta reflexão? Numa reunião de trabalho numa das Associações de que faço parte, um dos membros, não sei por que cargas d’água, me questionou: General, o senhor também é quatrocentão? Para quem não sabe, quatrocentão é o termo usado para referir-se as famílias tradicionais descendentes dos primeiros colonizadores e exploradores da cidade de São Paulo. Na mesma hora disse a ele que não, meu pai era um sargento do Exército nordestino e minha mãe era uma prendada dona de casa.

                Foi inevitável assim me perguntar: e se tivesse mesmo nascido quatrocentão? Teria   acesso a excelentes escolas e uma infância sem as privações materiais que vivi. Com as facilidades que o berço de ouro podia me dar, como teria sido o meu futuro? De acordo com Taleb tudo poderia acontecer, poderia experimentar o sucesso ou mesmo o fracasso. Fato é que “minha vida de quatrocentão”, me tiraria muita coisa boa que vivi.

                Se fosse um quatrocentão não teria os pais que tive que me incutiram valores como honestidade e honra e me ensinaram que por meio do estudo poderia usufruir de uma vida melhor, não apenas materialmente, mas como um ser humano de bons princípios. Não teria desfrutado do convívio com meus irmãos queridos. Não teria frequentado o Instituto de Educação Estadual Regente Feijó, onde aprendi a gostar de estudar, e de onde parti a desvendar os mistérios do conhecimento.

                Foi no Regente Feijó que a aleatoriedade colocou diante de mim aquela menininha de nariz arrebitado, olhos puxados, chamada Fernanda. Na verdade, ela diz que foi ela quem me escolheu. Longe de mim contrariá-la. A melhor forma de um adolescente ser apresentado a paixão e ao amor. Há mais de cinquenta anos juntos e quarenta e dois de casados, ela me presenteou como os maravilhosos filhos Patricia e André e hoje a nossa família já agregou o Pedro, uma jóia de genro, e os queridos netos Marina e Rafa.

                Se quatrocentão fosse, provavelmente não teria ingressado nessa maravilhosa Instituição Exército Brasileiro, que só fez fortalecer os valores que trouxe do berço e que acrescentou muitos outros que moldaram meu caráter e que me orientaram para uma vida profissional de muitas realizações. Artilheiro, paraquedista militar, piloto de helicóptero me impus e ultrapassei inúmeros obstáculos. Me realizei como líder e gestor. Ao ir para a reserva, guardo em meu coração uma infinidade de leiais amigos que a meu lado me permitiram fazer bastante pela Instituição e pelo Brasil.

                Nada contra os quatrocentões, mas dentro da minha crença, agradeço àquele que julgo cuida dessas aleatoriedades e do milagre que orientou a minha vida de grande felicidade. Obrigado meu Deus por ter nascido Eduardo, Eduardo de Fernanda.

*Um cidadão brasileiro

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