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2019: Centenário de um pseudônimo

O brasileiro gosta de comemorar as “datas redondas”. As que terminam em zero.

O brasileiro gosta de comemorar as “datas redondas”. As que terminam em zero. Os centenários são os preferidos. De nascimento, de morte, de movimentos, de lançamento de livros, etc. 2019 será um ano pródigo nessas celebrações. Lembro que faria cem anos, se viva fosse, a notável artista plástica Mira Schendel. Mas também se comemora o centenário de um pseudônimo famoso. Foi em 1919 que Alceu Amoroso Lima começou a se utilizar do nome pelo qual ficaria conhecido em todo o século 20: Tristão de Athayde.

Alceu foi um brasileiro extremamente importante para a História do Brasil. Erudito, pensador, doutrinador, filósofo, professor, jornalista e empreendedor. Participou do Centro Dom Vital e da revista “A Ordem”, que dom Marcos Barbosa OSB considera “a mais bela aventura da inteligência católica no Brasil”.

Nasceu ele em 11.12.1893 na Casa Azul no Rio, na Rua das Laranjeiras, Cosme Velho, bem próxima à residência de Machado de Assis. Filho do industrial Manuel José de Amoroso Lima e D. Camila da Silva Amoroso Lima, estudou no Colégio Pedro II e bacharelou-se em Direito em 1913. Casou-se com Maria Thereza de Faria, filha de Alberto de Faria, irmã de Octávio de Faria e cunhada de Afrânio Peixoto, todos os três da Academia Brasileira de Letras, onde Alceu também foi recebido em 1935.

Dirigia a fábrica de tecidos Cometa e, para não embaralhar vida profissional e vida literária, adota o pseudônimo Tristão de Athayde. Faz uma crítica literária que, além de profundamente técnica e erudita, é também pedagógica. Converteu-se ao catolicismo em 1928, mercê da influência de Jackson de Figueiredo, que morreria afogado pouco mais de dois meses. Torna-se líder católico por excelência, indicado pelo cardeal dom Sebastião Leme para assumir a direção da revista “A Ordem” e a presidência do Centro Dom Vital, cujo fundador morrera tragicamente.

Foi reitor da Primeira Faculdade de Filosofia do Distrito Federal à época e, até sua morte, ensinou Literatura na Universidade. Escreveu mais de uma centena de obras, o comovente livro “Companheiros de viagem”, no qual contempla todos os seus amigos. Faleceu em 14/8/1983, cinquenta e cinco anos depois da conversão e pouco antes de completar noventa anos.

Espera-se que 2019 seja mais um ano de reverência a Tristão de Athayde, que merece o respeito e o carinho dos pósteros, tamanha a sua importância para o Brasil, principalmente para a Pátria religiosa que esta Nação sempre foi e da qual não poderia se descuidar, sob pena de grave comprometimento da ética em todos os setores.

O Cristianismo fornece a “regra de ouro”, assim considerada por Chaïm Perelman, que é o “amar o próximo como a si mesmo”. Algo difícil, sim, mas que, mesmo reduzido ao “respeitar o semelhante da mesma forma com que você quer ser respeitado”, mudaria – para melhor – a face da Terra.

José Renato Nalini

*Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson.

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2019: Centenário de um pseudônimo

O brasileiro gosta de comemorar as “datas redondas”. As que terminam em zero. Os centenários são os preferidos. De nascimento, de morte, de movimentos, de lançamento de livros, etc. 2019 será um ano pródigo nessas celebrações. Lembro que faria cem anos, se viva fosse, a notável artista plástica Mira Schendel. Mas também se comemora o centenário de um pseudônimo famoso. Foi em 1919 que Alceu Amoroso Lima começou a se utilizar do nome pelo qual ficaria conhecido em todo o século 20: Tristão de Athayde.

Alceu foi um brasileiro extremamente importante para a História do Brasil. Erudito, pensador, doutrinador, filósofo, professor, jornalista e empreendedor. Participou do Centro Dom Vital e da revista “A Ordem”, que dom Marcos Barbosa OSB considera “a mais bela aventura da inteligência católica no Brasil”.

Nasceu ele em 11.12.1893 na Casa Azul no Rio, na Rua das Laranjeiras, Cosme Velho, bem próxima à residência de Machado de Assis. Filho do industrial Manuel José de Amoroso Lima e D. Camila da Silva Amoroso Lima, estudou no Colégio Pedro II e bacharelou-se em Direito em 1913. Casou-se com Maria Thereza de Faria, filha de Alberto de Faria, irmã de Octávio de Faria e cunhada de Afrânio Peixoto, todos os três da Academia Brasileira de Letras, onde Alceu também foi recebido em 1935.

Dirigia a fábrica de tecidos Cometa e, para não embaralhar vida profissional e vida literária, adota o pseudônimo Tristão de Athayde. Faz uma crítica literária que, além de profundamente técnica e erudita, é também pedagógica. Converteu-se ao catolicismo em 1928, mercê da influência de Jackson de Figueiredo, que morreria afogado pouco mais de dois meses. Torna-se líder católico por excelência, indicado pelo cardeal dom Sebastião Leme para assumir a direção da revista “A Ordem” e a presidência do Centro Dom Vital, cujo fundador morrera tragicamente.

Foi reitor da Primeira Faculdade de Filosofia do Distrito Federal à época e, até sua morte, ensinou Literatura na Universidade. Escreveu mais de uma centena de obras, o comovente livro “Companheiros de viagem”, no qual contempla todos os seus amigos. Faleceu em 14/8/1983, cinquenta e cinco anos depois da conversão e pouco antes de completar noventa anos.

Espera-se que 2019 seja mais um ano de reverência a Tristão de Athayde, que merece o respeito e o carinho dos pósteros, tamanha a sua importância para o Brasil, principalmente para a Pátria religiosa que esta Nação sempre foi e da qual não poderia se descuidar, sob pena de grave comprometimento da ética em todos os setores.

O Cristianismo fornece a “regra de ouro”, assim considerada por Chaïm Perelman, que é o “amar o próximo como a si mesmo”. Algo difícil, sim, mas que, mesmo reduzido ao “respeitar o semelhante da mesma forma com que você quer ser respeitado”, mudaria – para melhor – a face da Terra.

José Renato Nalini

*Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson.

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