No aceso de uma discussão acalorada (por parte dela), a mulher dispara uma série de críticas, censuras, reclamações, queixas, indagações e que tais – quase sem respirar – e então se volta para ele, que está tomado por paralisia geral – e pergunta mais furiosa do que curiosa: “Você não vai responder nada ?”
“Responder o quê ?” pensa ele, que está procurando assimilar, decodificar, classificar e entender o que, afinal, compõe aquela rajada de palavras que o atingiu, versando sobre o defeito no carro; o barulho feito pelos vizinhos; a bendita torneira que fica pingando o tempo todo; o aquecimento da água do chuveiro que está desregulado; a filha que deixa o quarto em total bagunça; o filho que está cada vez mais rebelde...
Ele procura racionalizar a questão, pinçando cada um dos problemas apontados, procurando elencá-los por ordem de importância e de pertinência, para então formular uma resposta lógica. É o seu processo racional para solução de situações críticas... mas isso demanda tempo!
No universo dela, a coisa é totalmente diferente. O que está funcionando, a todo vapor, é o emocional. É o sentimento de saturação de coisas que lhe trazem aborrecimento, insatisfação e desgaste, e que vão se avolumando até chegar ao “rompimento da barreira” e aí vem tudo pra fora de uma vez, não se detendo diante de nada racional ou lógico...
Para isso também contribui os conhecidos processos de monoprocessamento masculino e multiprocessamento feminino. O homem faz uma coisa só por vez. Se lhe pedirem para fazer três, duas não serão feitas. Ou malfeitas... Assim, as questões devem ser enfrentadas uma a uma...
Não é o que – felizmente – ocorre com ela, que é capaz de realizar várias tarefas simultaneamente. Basta observá-la no dia a dia: após a jornada na empresa, chega em casa e mergulha na “segunda jornada”! Cuida das crianças, organiza a casa, faz o jantar, prepara sua roupa e dos filhos (às vezes, dele também) para o dia seguinte, acompanha a tarefa das crianças e ainda assiste à novela! Essa mesma multiplicidade ela tem para a comunicação... tanto que no salão de beleza, com várias mulheres, falam e ouvem ao mesmo tempo tudo o que todas dizem... e respondem!
Dotada dessa extraordinária capacidade, nada mais natural do que achar que o homem também o seja! Só que não...
A maior tortura para o homem é, ao chegar em casa, ela lhe dizer: “Tenho vários assuntos para tratar com você hoje!” Ele revira os olhos, se angustia e pensa “É hoje!”
A recomendação para ela, então, é esta: elenque os assuntos sobre os quais quer falar. Apresente UM só, deixe-o assimilar. Liquidem esse tema e, em seguida, passe para o segundo, depois o terceiro, etc.
É sempre oportuno lembrar que o Esquartejador era homem. E sua frase predileta era: “Vamos por partes!”
* Consultor, comunicador, jornalista, palestrante, e-mail: jboliveira@jbo.com.br