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Terça-feira, 22 de Setembro 2026
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Vem aí a renda mínima

Uma ideia que a muitos pareceu utópica e até folclórica, volta a toda em inúmeros espaços.

Vem aí a renda mínima
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Uma ideia que a muitos pareceu utópica e até folclórica, volta a toda em inúmeros espaços. A extinção de milhões de empregos e o desaparecimento de profissões tradicionais, fruto da 4ª Revolução Industrial, porá no colo dos comandantes do poder a angustiante questão: o que fazer com os excluídos?

Os otimistas dizem que haverá criação de outras funções em substituição às eliminadas. Dão como exemplo o trabalho hoje confiado ao drone. Ele faz o mister de dezenas. Mas também reclama outras dezenas. Não só para a programação, mas para a manutenção, para o acompanhamento, etc.. Só que alimento uma dúvida: esse pessoal novo não tem de ser bem qualificado? Em regra, os trabalhadores que o drone deixou superados eram lavradores, ajudantes, pessoas simples. Será que teremos a condição de prepará-los a tempo?

Desconfio que não. Isso faz com que se pense nessa “renda mínima”, como espécie de bolsa  família para satisfazer as necessidades essenciais do ser humano. Pensa-se em tributar os robôs e todos os outros inventos que descartam o ser humano. Com esse reforço do caixa dos Estados, propiciar-se-ia a um contingente enorme de pessoas as condições mínimas de subsistência digna.

Mas o que é suficiente para tanto? Parte-se do montante de proteínas e nutrientes necessários ao sustento. Mas e o vestuário? E o transporte? E a moradia? Há o custeio das utilidades públicas, da manutenção, da limpeza, dos reparos e conservação. E se esse mínimo vier a incluir o lazer, o esporte, as artes, os hobbies?

O problema não é fácil. Mas está na ordem do dia. Se isso não vier a ser pensado com carinho, aumentará a revolta e o ressentimento. As manifestações violentas que ocorrem no mundo inteiro e que já mostraram sua cara no Brasil em várias oportunidades, representam a face cruel de um consumismo que, ao forçar a obsolescência das coisas, torna a final obsoleto o próprio homem.

Pensadores lúcidos como Zygmunt Bauman, há pouco falecido, fazem instigante análise da situação que causou perplexidade: a revolta de massas que, convocadas pelas redes sociais, mobilizam-se de repente e com velocidade incrível. Os distúrbios foram considerados por Bauman como ações de consumidores excluídos e desqualificados. São pessoas que sofrem o bombardeio da propaganda midiática obrigando a um consumo impossível. Quando elas percebem que não terão condições adequadas de ingressar no mercado por meio da compra, sobrevém a ira e passam a quebrar tudo o que está à sua frente.

É uma resposta irônica à ideologia consumista: “Vocês nos pedem que consumamos e, simultaneamente, nos privam de condições de fazê-lo!”. Então o consumo se faz através da destruição, da violência, de um ódio que não encontra limites na convenção da propriedade alheia.

É uma demonstração da força material da ideologia, o fim da sociedade pós-ideológica. Para Bauman, o problema dos distúrbios e do quebra-quebra não é a violência em si, mas o fato de não ser verdadeiramente categórica. É a raiva e o desespero impotentes sob a máscara de uma evidenciação de força.

Os indignados tendem a crescer, se não se levar a sério a capacitação e a qualificação para atividades que não precisam ser “empregos”, naquele sentido tradicional de alguém colocar sua força e sua inteligência a serviço de um patrão. Há urgência de um projeto positivo de mudança sociopolítica. Sem isso, tende-se a uma realidade que se tornará a cada dia mais absurda, violenta e apta a prejudicar inocentes e a intensificar a sensação de insegurança que acomete a quase todos.

* Reitor da Uniregistral, docente da Uninove e consultor jurídico. 

José Renato Nalini

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