Apesar de toda tecnologia existente no mundo moderno várias são as demonstrações de que o homem ainda não entendeu sua ligação com a espiritualidade e nem com Deus.
Por vezes, sinto-me como um partícipe da história encontrada em Gênesis 11:1-9, enquanto cidadão que vive na planície entre os rios Tigre e Eufrates, na antiga Mesopotânia, atual Iraque, e tenta conviver na torre construída com o objetivo de que o cume chegasse ao céu para tornar o homem célebre, numa clara afronta dos homens para com Deus, pois que a Ele queriam se igualar.
Tanto naquela época como agora, o resultado não é outro: os homens falam várias línguas e por isso não conseguem se entender.
De que vale bater no peito e dizer “Meu Deus, Meu Deus” se os cânticos só chegam ao Pai pela voz do coração? É preciso que a “Palavra” empregada seja a mesma!
Muitas são as religiões, mas quantas se preocupam com o verdadeiro sentido dessa expressão que deriva do latim religare, que quer dizer: ligar ao divino, ligar a Deus. É preciso que os homens compreendam que as religiões não são o fim, mas o meio de se chegar ao Pai.
O homem, por sua própria natureza, é um ser espiritual e as coisas da matéria, que, aliás, são passageiras, com todas as limitações que são impostas, não podem satisfazê-lo plenamente.
O Mestre Jesus com extrema clareza ensinou, quando maliciosamente foi provocado, que devemos dar a Cesar o que é de Cesar e dar a Deus o que é de Deus. Dentre outras lições, nesta encontramos uma clara indicação de que não devemos confundir as coisas da matéria com as coisas de Deus.
Por isso, é preciso desconfiar das palavras hipócritas daqueles que pretendem ter o monopólio da verdade!
São as obras, e não as palavras proferidas, que devem ser observadas. Jesus também disse: “Reconhece-se uma árvore pelo seu fruto? Se, pois os frutos são amargos, julgais que a árvore é má; mas se são doces e salutares, dizeis: Nada de puro pode sair de um tronco mau”.
Orai e vigiai é o grande alerta que a espiritualidade nos tem dado. Jesus, nosso Mestre, não distinguiu este ou aquele com qualquer prerrogativa porque suas lições são extensivas a todos os homens.
Logo, os verdadeiros cristãos são como verdadeiros missionários que se colocam a disposição do servir, do amor, do próximo e, por isso, de Deus e não do amealhar para si unicamente bens materiais.
Àqueles que assim não agem rogamos: “Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem” (Lucas, 23:34).
1Crônica publicada originalmente em abril/2012
*Paulo Eduardo de Barros Fonseca, Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International