A Polícia Civil do Estado de São Paulo tem plenas condições de realizar muito mais do que já realiza, mas é preciso que as amarras político-orçamentárias sejam eliminadas. À Polícia Civil cabe realizar o mesmo papel que a Polícia Federal em âmbito nacional: a investigação sobre corrupção perpetrada por alguns entes poderosos que nunca antes conheceram o crivo da lei e da justiça.
Já passou da hora da Polícia judiciária estadual atuar fortemente nesse tipo de investigação. É urgente a celebração de convênios com outras instituições, como a Receita Federal e o Tribunal de Contas, por exemplo, para o acesso a informações que tais entidades detêm e que são imprescindíveis ao bom resultado de investigações que têm como alvo grandes esquemas de corrupção e atores das esferas mais altas do poder.
É preciso vislumbrar uma realidade diferente em nosso Estado. É preciso investir na abertura de setores similares em todas as Delegacias Seccionais bandeirantes. São setenta, número mais que suficiente para abalar a estrutura dos corruptos que eventualmente trabalham à surdina em cargos executivos ou legislativos de nosso estado e que poderão ser devidamente investigados pela única polícia que tem atribuição constitucional para tanto.
É preciso concentrar esforços nas avançadas técnicas de investigação sobre lavagem de dinheiro, de modo a cessar as fontes de financiamento das organizações criminosas e, assim, sufocá-las. A Polícia Civil paulista é uma das melhores polícias judiciárias da América Latina. Realizamos muito além do que o Governo nos concede materialmente. Não devemos aceitar amarras de governantes que, receosos de virarem alvo de investigação, sucateiam deliberadamente a polícia a fim de sufocá-la e enfraquecê-la.
* Delegada de Polícia do Estado de São Paulo , presidente do Sindicato dos Delegados de Polícia do Estado de São Paulo (SINDPESP)
Raquel Gallinati