Estratégia. 1. Arte militar de planejar ... (...) 3. P. ext. Arte de aplicar os meios disponíveis com vista à consecução de objetivos específicos.” (Novo Dicionário Aurélio da Língua Portuguesa.”
É impressionante o que uma mulher faz por amor! Quando ama, nada há que a detenha. De modo especial, a mulher-mãe! Ao dizer isso, vem-me a imagem de minha própria mãe. Media apenas 1,50 metro (eu lhe dizia que tinha a estatura exata de uma fita métrica...). Era, também, bem magra... Entretanto, foi gigante em toda sua vida. Tinha 17 anos ao se casar com meu pai e, ao longo de 58 anos – até ele falecer – acompanhou-o em todas as suas muitas e árduas lutas, desbravador que ele foi do sertão do oeste paulista, na região onde hoje se localiza Presidente Prudente, polo econômico e sociocultural da Alta Sorocabana! À época, tudo era sertão bravio. Tanto que a primeira emissora de rádio ali instalada – PRI-5 – tinha por slogan “A voz do sertão”!
Fui o nono dos dez filhos que receberam sua orientação, cuidados e rigorosa disciplina! Ninguém falava, aliás, sequer imaginava, um palavrão... Foi com ela que aprendi a ler a Bíblia, hábito salutar que mantenho até hoje!
Mas não é a ela, já há anos “no andar de cima” que se refere esta crônica, mas a alguém que viveu séculos antes. Chamava-se Joquebede, nome que significa “Jeová é glória” (Yoháved). Era esposa de Anrão, da tribo de Levi. Naquela época, os hebreus estavam no Egito, levados 400 antes por José, que era governador daquele país! Tão poderoso era, que os egípcios o denominaram “Zafenate Paneá”: o salvador do mundo...
Entretanto, após muitas gerações, a situação dos hebreus mudou. Os privilégios e respeito iniciais converteram-se em dura escravidão. É que se haviam tornado muito numerosos, e faraó temia que, em caso de guerra, pudessem aliar-se aos inimigos. Determinou, assim, que fossem mortos todos os recém-nascidos de sexo masculino!
Então, no lar de Joquebede, nasce Moisés, que ela oculta por três meses, até que isso se torne difícil e arriscado para toda a família!
É quando seus coração e mente de mãe engendram um plano original: tece um cesto de vime, impermeabiliza-o, deposita nele o bebê, e o coloca no rio, no ponto onde a filha de faraó se banhava... Como mulher, a princesa teve curiosidade de saber o que havia ali! Vê, então, chorando, um belo bebê dos hebreus. Aí, complementando o plano, surge Miriam – irmã de Moisés – e diz: “queres que eu chame uma ama hebreia para criar este menino?”. Obtido o consentimento, ela traz Joquebede, a quem a princesa diz: “Leva este menino, e cria-o para mim; e eu te darei teu salário.”
Pronto! A estratégia funcionou perfeita e abençoadamente: aquela mãe salva o filho, dá-lhe sua educação, e ainda ganha por isso...!
E é esse menino – Moisés, o “salvo das águas” – que vai se tornar o libertador e líder maior de seu povo!
* J.B. Oliveira, Consultor, comunicador, jornalista, palestrante, e-mail: jboliveira@jbo.com.br