Expressão idiomática que tem o significado de ditador, tirano. "The man on Horseback: the role of the military in politics" escrito por Samuel E. Finer, nos anos 60 do século passado, tratava das intervenções militares na política, que aconteciam num mundo embalado pela Guerra Fria.
Ao relatar e analisar as muitas destas ações ocorridas pelo mundo, ele dá destaque especial àquelas que se passaram na América Latina. Nestas, em particular, a justificativa maior para a sua ocorrência seria o fato de acontecerem em uma condição diferente da experimentada pelas democracias liberais como a americana e britânica, uma vez que, nestas, as Forças Armadas eram de forma mandatória subordinadas aos civis.
O que se testemunhava na América Latina eram as forças militares bastante envolvidas na vida política dos países, muito por conta de, diferentemente dos Estados Unidos da América e da Grã Bretanha, estes países não serem democracias robustas. As suas Instituições de Estado não funcionavam adequadamente, o que trazia à cena política o homem de farda.
Para se entender como seria o funcionamento adequado das Instituições debrucemo-nos sobre as teorias do poder. O sociólogo Max Weber define que o Estado detém o monopólio da força e que a disputa do poder se dá no campo político, ou seja, a política é a grande "garantidora" das vontades e não, a força.
Passados 60 anos, o regime democrático de direito, previsto em nossa Constituição, não vai bem das pernas, fruto das más (péssimas) escolhas feitas pelo eleitorado, eleitorado a quem falta uma boa educação, não só no que diz respeito a área do conhecimento, o que lhes daria um maior discernimento, mas também no que tange à moral, à ética e a uma sólida base de valores.
Neste ambiente de uma democracia fragilizada, pelo despreparo da população, o poder Judiciário (Supremo Tribunal Federal), de caso pensado, tomou para si a condução das coisas do Estado e tornou possível e factível a eleição de um presidente condenado pela justiça. Para tal tornou livre alguém que a justiça havia restringido a liberdade, perseguiu, censurou e prendeu seus opositores, contribuindo de forma decisiva para que o antes condenado fosse eleito nosso presidente.
Diante de tanta arbitrariedade, diante da inação de nossos Congressistas e da mudez da imprensa comprometida, parte da população, como era costume, foi à frente de nossos quartéis pedir para que as Forças Armadas restabelecessem a ordem. De forma exemplar e côncios do papel que devem desempenhar frente às Instituições democráticas do país, os militares não embarcaram nessa aventura.
Diante da lição recebida, resta aos brasileiros saber que apenas a política é que garantirá o estabelecimento de suas vontades, não sendo portanto mais aceitável que ela, a política, esteja na mão de muitos dos atores que hoje povoam nosso Congresso , Câmaras Legislativas e Executivos estaduais e municipais. Devemos saber que esse quadro de horrores só aconteceu por conta do nosso desleixo com a política, aquela que garante a prevalência daquilo que queremos.
E, por outro lado, hoje sabemos, com clareza, ”the man on horseback", no Brasil, usa toga.
Eduardo Diniz
Um cidadão brasileiro