Não é preciso dizer que facções criminosas praticam atos de terror. São máfias que aterrorizaram São Paulo em 2006, matando policiais, explodindo bombas, vandalizando prédios e criando clima generalizado de pânico. PCC em São Paulo, Comando Vermelho no Rio de Janeiro, onde ônibus são incendiados e barricadas impedem trânsito em acessos. O governo brasileiro, contudo, garantiu que não se trata disso, diante da proposta do governo norte-americano para definir em lei os criminosos como terroristas, pois bandos organizados, já transnacionais, chegaram ao País.
Estudar direito e criminologia seria o suficiente para desenhar o assustador mapa criminal? Estamos vendo que não. Querem nos convencer que facções são formadas por cândidos congregados marianos disfarçados de escoteiros. Se assim fosse, teríamos de voltar a estudar português com afinco, para explicar aos achólogos de plantão (embora se digam “especialistas”,) que mais uma vez estão equivocados.
Pior quando confundem interesses da segurança pública com opiniões de apedeutas. Às palavras, então: terrorista é aquele que usa a violência para criar uma atmosfera de medo, gerar pânico, provocar pavor, sentir receio, horror. Violência para matar, ferir, intimidar, apavorar, aterrorizar. Tudo isso faz parte do modus operandi bandido.
O Brasil padece nas mãos dos trogloditas do mal. O Governo deve além da conta nessa matéria e ainda atenta contra o idioma. Derrapam como juristas, ao confundir a expressão como se fosse emprestar cobrando a juros.
Como encíclica não quer dizer bicicleta de uma roda só, vamos conferir. Lei complementar (13.260/16) prevê exatamente a perturbação da paz pública, ou seja, terror social. Não se trata, na ótica governamental brasileira, pretender reconstruir o mundo com vocabulário. É preciso usar as palavras para descrever o que acontece, sem invenções como o ridículo “todes” - uma destruição do pensamento.
Não há como negar que faccionado seja terrorista. Nossas leis já deixam uma cratera aberta a favor do crime. Há quem se diga “escravo” delas, embora não seja bem isso, pois se de fato fossem aplicadas com rigor seria bom. Tudo chega a parecer psicopatologia contemporânea, como carbonários de outrora, que soltavam bombas, sequestravam, matavam e aterrorizavam. Não se pode escrever uma nova história, como se por meio dela pudesse ser contada apenas pelos vencidos.
*Jornalista e escritor
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