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Quarta-feira, 17 de Junho 2026
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Sempre vence o melhor?

O sucesso de um produto depende de sua qualidade, do fato de ser superior aos análogos

Sempre vence o melhor?
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O sucesso de um produto depende de sua qualidade, do fato de ser superior aos análogos ou do talento de quem o apresenta ao público?

A publicidade é a maga responsável por criar as necessidades e convencer o consumidor a adquirir determinada marca, preferindo-a dentre tantas outras de mercadorias praticamente iguais.

A televisão adquiriu uma notável performance nessa área. Sua eficácia para criar consensos é potencializada em relação à mídia tradicional. Aos poucos, ela se sofistica, para acrescentar outros elementos de sedução, hábeis a persuadir quem estaria indeciso diante de tantas ofertas. É o caso, por exemplo, de um produto de limpeza que associa a sua marca à preservação da natureza.

As pessoas sensíveis, que sabem que a devastação contribuirá para a extinção da vida neste sofrido planeta, vão adquirir essa linha, embora haja outras praticamente iguais e até mais baratos.

Se isso funciona para o mercado, por que não serviria para a política?

Em relação ao mercado, existem controles e fiscalização sobre a qualidade do produto. Se não passar pelo atendimento às exigências de qualidade, ele não pode ser comercializado.

Já na política, não existe esse controle. Tudo fica ao sabor da propaganda. E é por isso que os “marqueteiros” tiveram tanto protagonismo na História recente do Brasil. Sabem “vender” um produto de qualidade discutível, como se fora excepcionalmente bom.

Para o produtor que oferece à comercialização algo desprovido de qualidade, ou de qualidade inferior à apregoada, há sanções. Para a política não. Quem é sancionado é o povo, obrigado a aceitar algo abaixo de suas expectativas.

Faz falta uma “Escola de governo”, que treine aqueles que se propõem a exercer qualquer função pública e exerçam, sobretudo, um controle de qualidade. Esta se mede não pela falaciosa capacidade de convencer pela palavra, mas pela conduta ética, pela probidade, pela correção e pela conformidade com algo muito esquecido, mas essencial: a virtude. Atributo, sem o qual, ninguém deveria se propor a gerir o interesse da coletividade.

 

*José Renato Nalini é Reitor da UNIREGISTRAL, docente da Pós-graduação da UNINOVE e Presidente da ACADEMIA PAULISTA DE LETRAS – 2021-2022. 

 

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