Na manhã de terça-feira , dia 1º de abril, o diretor do jornal Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias, recebeu a visita do novo comandante do Policiamento de Área Metropolitana-3 (CPA/M-3) coronel PM Cássio Araújo de Freitas
Na oportunidade, o coronel Cássio abordou vários temas, entre eles, as ações que pretende implantar na região, a atuação das polícias comunitárias e dos Consegs e as ações que estão sendo realizadas na Zona Norte a respeito da pandemia de coronavirus. Além de falar sobre a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte.
Acompanhe na íntegra a entrevista do novo comandante do Policiamento de Área Metropolitana-3, cel. PM Cássio Araújo de Freitas
JSZN: Fale um pouco sobre sua trajetória profissional e também sua formação. Time de futebol e hobby.
Cel. PM Cássio: Graças a Deus eu torço para o time do Palmeiras, e me considero um excelente palmeirense. Torço sempre na alegria e na tristeza. Meu hobby sempre foi o esporte, gosto de correr e nadar. A minha infância e juventude sempre foram ligadas ao esporte. Na nossa profissão isso acaba sendo uma ferramenta de trabalho. Desde jovem, tinha vontade de seguir a carreira nas Forças Armadas e na Polícia Militar do Estado de São Paulo. Servi na Força Aérea Brasileira, em seguida fui para a PM onde me identifiquei como profissional. Fiz a Academia do Barro Branco, trabalhei no Grande ABC, por muitos anos, atuei no Comando de Policiamento de Choque (Rota), no 26º Batalhão. As minhas unidades mais recentes estão ligadas ao Departamento de Choque e também comandei o 1º Batalhão Ambiental.
JSZN: O Sr. se inspirou em alguém da família?
Cel. PM Cássio: Eu tenho um tio que era sargento da Força Pública. Ele sempre me orientou bastante a respeito da carreira militar.
JSZN: Neste tempo de PM houve alguma ocorrência que marcou sua trajetória profissional?
Cel. PM Cássio: Foram várias ocorrências. Eu tive o privilégio de trabalhar em unidades bastante estratégicas da Polícia Militar. Com isso, a gente acaba vivenciado muitas ocorrências. Uma ocorrência que é emblemática para mim, uma moça que estava sequestrada e mantida como refém na comunidade do Colombo, vizinha a Paraisópolis, na Zona Oeste de São Paulo. A denúncia foi anônima. Com poucas informações, fomos até o local. A única informação que tínhamos era de uma habitação verde. Foram duas horas de buscas até acharmos a mulher que aparentava ter 30 anos de idade. A ocorrência foi bastante intensa, pois os indivíduos estavam portando fuzis. Levamos a vítima para o hospital mais próximo e graças a Deus deu tudo certo e ninguém ficou ferido. Os familiares não pagaram o resgate e a moça retornou para casa salva.
JSZN: Qual orientação o Sr. deixa para os jovens militares?
Cel. PM Cássio: Minha mensagem é que eles continuem vibrando. Vibrar é um jargão nosso que significa você ser idealista. É uma profissão que não é fácil em qualquer lugar do mundo. Aqui no Brasil, o trabalho da Polícia Militar é mais difícil. Tenho muitos amigos policiais que atuam em diversos países, cuja legislação é mais favorável em relação ao nosso País. Ou seja, eles estão mais interessados nos direitos e garantias coletivas do que nos interesses individuais. Isso dá um peso diferente para o Judiciário e também para a Polícia Militar. Então, digo a todos os jovens brasileiros que não baixem a cabeça e continuem trabalhando em prol da população. Estejam certos de seus ideais porque o seu ideal será testado todos os dias. Todas as profissões são assim, médicos, jornalistas enfim todas elas. Mas a questão é de que na Polícia Militar acontece mais devido à intensidade e o risco do trabalho. Mantenham a calma e lembrem-se que a nossa corrida não é de 100 metros, mas sim uma maratona . Não precisamos fazer tudo de uma só vez. Não esqueçam que a motivação do nosso trabalho é o cidadão. Eu sempre pautei as minhas decisões e ações nisso. Valores e ética são ferramentas de trabalho da Polícia Militar, pois trabalhamos em grupo e enfrentamos situações que elas não têm compensação financeira. O profissional corre esse risco em função da ética que ela pratica. O respeito também é importante. A América do Sul vivenciou nos últimos anos uma degradação da autoridade. Foi feito um grande trabalho durante um longo período para que os princípios da autoridade fossem destruídos. A autoridade é fundamental para se viver em sociedade. Os filhos que não respeitam os pais terão problemas na vida. São jovens que não irão respeitar os professores, os colegas de trabalho e em geral as pessoas. Não consigo imaginar uma sociedade moderna e justa sem respeito. Mas o Brasil, segundo a visão de alguns, passa por esse fenômeno que tem prejudicado muita gente. O jovem que ingressa na carreira militar tem que lembrar que o respeito é muito importante. O respeito organiza uma família e também um país.
JSZN: O número de mulheres na corporação cresce a cada ano. Como o Sr. vê este avanço?
Cel. PM Cássio: A Polícia Militar é uma instituição multidisciplinar. Dentro da polícia precisamos de pessoas que conheçam armas, helicópteros, medicina, enfermagem, socorro. A gama de serviços é tão grande que é necessário a participação de pessoas especializadas em vários assuntos, e ao mesmo tempo, o perfil delas. As mulheres contribuem com seus perfeccionismos. Ou seja, elas têm uma atenção especial aos detalhes e à pessoa. Já fui comandado por mulheres. Elas têm uma percepção que as vezes o homem não tem. Hoje a Polícia Militar gira em torno, dependendo da atividade, de 22% de efetivo de mulheres. Trazer para a instituição essas características femininas é muito importante.
JSZN: O que significa para o Sr. comandar o CPA/M-3? Qual sua expectativa?
Cel. PM Cássio: É uma grande satisfação e responsabilidade. Estou muito motivado para colocar em prática um trabalho que vá no sentido de melhorar ainda mais o já existente e muito bem desenvolvido. Sabemos que há pontos críticos aqui na região. A Zona Norte é tida pelo paulistano como uma área tranquila e sossegada, mas tem sim seus problemas e alguns deles são graves. Conversei muito com minha equipe. Temos alguns indicadores criminais que queremos derrubar, principalmente de roubo. Precisamos diminuir esse número. Estou bastante preocupado com os furtos e roubos que acontecem de madrugada, onde a maioria das vítimas é mulher. Vamos fazer um trabalho especifico para a proteção da mulher. Um ladrão, por essência, é um covarde. Ele vai procurando as suas oportunidades de roubo e uma delas é a mulher. Elas são mais vulneráveis. Alguns trabalhos foram colocados em prática, mas logo iremos intensificar mais, tão logo sairmos desta crise de saúde. Outra ação que iremos fortalecer é quanto aos roubos de veículos. Contamos com patrulhas como a Ronda Ostensiva com Apoio de Motocicletas (Rocam) - para diminuir esses índices criminais.
JSZN: Qual a importância dos Consegs para nossa região?
Cel. PM Cássio: Sou fã dos Consegs, porque eles são canais para as pessoas conversarem com a polícia. Isso é bom porque um policial não pode perder de vista o objetivo do seu trabalho, que é atender a comunidade. Nós nunca podemos perder isso de vista. Sempre gostei e não tenho receio de receber criticas e elogios dos Consegs.
JSZN: O que o Sr. pode nos dizer sobre o programa Vizinhança Solidária?
Cel. PM Cássio: O Programa Vizinhança Solidária é genial. Fiquei muito feliz em saber que o programa está bem estruturado aqui na Zona Norte. Em todos os batalhões temos uma sala de monitoramento. Profissionais ficam 24 horas por dias olhando os aplicativos de conversa. Ele vem atendendo uma demanda urbana. Infelizmente, a população das grandes cidades está cada vez menos comunitária. As pessoas vão se fechando nas casas, e muitas vezes, a pessoa não quer conhecer o vizinho. É muito diferente de antigamente, onde os vizinhos eram considerados parentes. Muitas pessoas não conhecem os moradores que dividem com ele o mesmo prédio. E o programa incentiva as pessoas a se conhecerem em prol de um objetivo comum que é a segurança. É um projeto inteligente que melhora a vizinhança e a segurança. O programa Vizinhança Solidária faz com que o cidadão aqui na Zona Norte, e em outras regiões da cidade, tenha um atendimento de primeiro mundo. Ele está funcionando muito bem aqui, criamos um sistema para aperfeiçoar ainda mais o programa.
JSZN: Como Sr. vê a pandemia de coronavírus no Brasil, em especial na Zona Norte de São Paulo?
Cel. PM Cássio: Desde o surgimento da crise, a PM não parou. Estamos em contato com todas as instituições públicas e privadas que estão trabalhando nos serviços essenciais. Tenho conversado constantemente com lideranças do sistema prisional e também com pessoas responsáveis pelo sistema de transporte como o metrô. Entro em contato também com as prefeituras regionais e as lideranças da sociedade civil. Um exemplo são vocês que estão trabalhando para levar informação à população. Não podemos deixar as pessoas preocupadas e em pânico, devemos divulgar informações precisas que vão ajudar a comunidade a combater a pandemia de coronavirus.
JSZN: Como funcionará o Gabinete Regional de Crise no combate ao coronavírus?
Cel. PM Cássio: A Polícia Militar do Estado de São Paulo atua há muitos anos na questão crise. Porém, existem muitas regras mundiais. Em síntese, em época de crise, as informações e as decisões de qualidade devem acontecer de maneira mais rápida. Ou seja, elas não podem seguir o caminho normal. Por exemplo, em dias normais o representante da Prefeitura pode fazer um oficio para mim referente uma atividade que irá ser feita daqui três dias. Isso tudo leva dias, mas é o tempo necessário, a situação acontece de forma tranquila. Quando estamos numa crise não temos tempo para isso. Devemos ser ágeis e rápidos. O Gabinete de Crise serve para dar velocidade e entendimento de tudo que está acontecendo na região, ou seja, os pontos críticos de cada demanda. Semana passada, tivemos um problema na questão da compra de botijões de gás. Há aglomerações nesses locais, a PM está fazendo ronda nas imediações para verificar se não tem nenhuma confusão. Muitas pessoas estão tensas e preocupadas em furar filas em busca de um botijão de gás, é uma demanda completamente ilícita. Sempre aprece um espertalhão e uma pessoa que não tem respeito.
JSZN: Fale um pouco sobre a Operação Humanitária em parceria com outros órgãos públicos?
Cel. PM Cássio: As Operações Humanitárias no mundo inteiro são caracterizadas por duas colunas: a primeira parte do momento que a força chega e estabelece a ordem, não tem como praticar os direitos humanos sem estabelecer a ordem. A outra base é a logística. Um exemplo é a Prefeitura que estava com dificuldade em distribuir cestas básicas para a comunidade, nos estamos apoiando essa distribuição. Neste caso trabalhamos duas fases: a manutenção da ordem e a outra, garantir a logística.
JSZN: Qual sua opinião sobre os hospitais de campanha que irão funcionar no Estádio do Pacaembu e no Anhembi?
Cel. PM Cássio: A PM está seguindo a politica da instituição e orientando a população através das redes sociais e principalmente pelas viaturas com áudios padronizados em todo o Estado de São Paulo. Assim as pessoas vão se conscientizando de que a situação tem uma gravidade, e não é uma brincadeira. O outro trabalho é o socorro que a Policia Militar junto com o Corpo de Bombeiros faz, onde muitas pessoas não têm condições de transporte. O Samu também tem nos dado muito apoio nesta questão. E nas áreas onde atuam as secretarias municipal e estadual de Saúde, como os hospitais. O Anhmebi é um ambiente novo para este tipo de atividade. Ele não foi projetado para ser uma area de tratamento. Foram montados 1.800 leitos e a PM está disposta a apoiar este projeto.
JSZN: Qual a recomendação o Sr. deixa para a população da região? Como a população deve se proteger?
Cel. PM Cássio: A população deve manter a calma e ter acesso à informação de boa qualidade e não contribuir para amplificar ainda mais este clima de tensão. Temos que viver um clima de tranquilidade, e acima de tudo, organização. A PM tem muitas demandas. A Policia tem muitos canais de comunicação, como o telefone 190 e o aplicativo da corporação.
JSZN: E qual a orientação a PM deixa aos idosos ?
Cel. PM Cássio: Os idosos, dentro desta crise, têm um papel importante. Peço a todos os idosos que fiquem em casa. Leiam livros e assistam TV. Uma pessoa de idade circulando em locais onde tem pouca gente, ela passa a ser vulnerável aos ladrões.
JSZN: Como Sr. vê a importância das mídias regionais em especial o Semanário da Zona Norte?
Cel. PM Cássio: É fundamental, pois estamos numa crise de informação e também de desinformação. Um jornal sério e competente como o Semanário é importante. São informações de qualidade e precisas. Isso é importante para manter a população tranquila. Estamos vivendo numa crise, mas se Deus quiser vamos vencer.