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Sábado, 27 de Junho 2026
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Semanário da Zona Norte recebe a visita do novo comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo

Semanário da Zona Norte recebe a visita do novo comandante do Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo
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O novo comandante do Comando de Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo, coronel PM Leandro Carlos Navarro visitou na segunda-feira, dia  27 de maio, a sede do jornal e foi recebido pelo jornalista responsável  do Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias.  

Na ocasião, o coronel  PM Navarro concedeu entrevista ao jornalista onde abordaram vários assuntos, entre eles, a sua trajetória na Polícia Militar do Estado de São Paulo, o papel da Polícia Ambiental do Estado de São Paulo para a sociedade e a importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte.  

Confira na íntegra a entrevista. 

JSZN: Gostaria incialmente que o Sr. falasse um pouco sobre sua vida pessoal. 

Cel. PM Navarro: Sou um paulistano, casado, pai de dois filhos, com 50 anos de vida, nascido e criado na Zona Norte, que ingressou ainda jovem na Academia de Polícia Militar do Barro Branco e hoje comando, com muita honra e orgulho, o Policiamento Ambiental do Estado de São Paulo. 

JSZN: Qual a importância e o papel da Polícia Ambiental do Estado de São Paulo? 

Cel. PM Navarro: A Polícia Ambiental tem papel fundamental na preservação do Meio Ambiente. Trata-se de uma instituição que neste ano completa 75 anos de existência. Ela é ainda mais antiga que grandes marcos históricos, como a 1ª Conferência da Nações Unidas sobre Meio Ambiente, em 1972 e a Eco Rio 92. Esses fatos já demonstram seu protagonismo na proteção ambiental. Mas a instituição não parou no tempo, e se adaptou aos diversos momentos históricos, e em 1989 já reconhecida sua importância, constou na Constituição Estadual de São Paulo como parte do Sistema de Proteção Ambiental paulista. De lá para cá foram muitos progressos, e hoje participamos como a principal força de fiscalização direta dos recursos naturais no Estado. Anualmente produzimos mais de 20 mil Autos de Infrações Ambientais, dos mais diversos eixos de proteção, como flora, fauna, pesca, unidades de conservação da natureza etc. A Polícia Ambiental hoje, com o acúmulo de experiência, não se limita a exercer suas funções no campo da autuação, mas também participa das demais fases dos processos até o momento da restauração ambiental, já que esse é o objetivo principal: restaurar o Meio Ambiente. Fazemos parte, por exemplo, do Atendimento Ambiental, inspirado nas câmaras de conciliação do Poder Judiciário e outras; nessa fase, por vezes junto com técnicos da Secretaria de Meio Ambiente do Estado, estimulamos a pessoa autuada a fazer a conciliação ambiental e adiantar as medidas de restauração ecológica, visando um maior ganho ambiental para a toda a população. Também participamos de Comissões de Julgamento de Auto de Infração e Conselhos de Meio Ambiente, sendo o principal deles, o Conselho Estadual do Meio Ambiente. Nele, a Polícia Ambiental pode e deve participar das decisões que envolvem a questão ambiental. Outros conselhos locais também têm um valor de importância muito grande, tanto na região Metropolitana de São Paulo quanto no interior, por isso nossos oficiais e graduados do policiamento ambiental também participam desses conselhos.  

JSZN: Qual sua expectativa em assumir o Comando de Policiamento Ambiental? 

Cel. PM Navarro: Sempre no cumprimento do dever, em toda a carreira, tenho a expectativa de continuar o processo de modernização do Policiamento Ambiental. Em uma sociedade cada vez mais complexa como a que vivemos, novos desafios são diários e as soluções devem conter a avaliação de maior número de fatores. Hoje não há problema social de fácil solução, e os problemas ambientais também são assim; envolvem questões de interesses de grupos, legítimos ou não; de preservação de qualidade de vida, de produção e criação de empregos, considerar as necessidades das gerações futuras para que elas possam também ter condições de vida com qualidade. O Governo do Estado tem investido no policiamento ambiental, por meio das Secretarias de Meio Ambiente e Segurança Pública, constantemente, trazendo desde equipamento, tecnologia e instrução e treinamento, especializando nosso pessoal. Então, quando se fala em expectativas, são as melhores possíveis poque tenho a oportunidade de participar ativamente do presente e do futuro de nosso Estado e até de nossa nação, porque São Paulo impacta no Brasil em todos os sentidos, em especial na produção de riqueza e preservação ambiental.  

JSZN: Quais ações o Sr. pretende implantar? Agilizar o atendimento é uma das prioridades? 

Cel. PM Navarro: Sim, a agilidade do atendimento é uma das prioridades. A sociedade, impulsionada pela velocidade do setor privado, está cada vez mais exigente quanto aos serviços prestados, e a administração pública entendeu essa valorização do tempo e investe em melhores serviços e mais rápidos. Agora, a celeridade não pode prejudicar a qualidade do serviço, nem o atendimento dos anseios da população. Hoje, por exemplo, uma das nossas principais frentes de atuação aqui na Grande São Paulo é a proteção às áreas de mananciais, principalmente nas Zonas Norte e Sul. As invasões ilegais e os loteamentos irregulares têm o potencial de prejudicar o meio ambiente e a qualidade de vida de todos numa escala considerável. Esse tipo de infração e sua organização não é o que encontrávamos há alguns anos, hoje existem verdadeiras organizações criminosas atuando nesse cenário; assim, há maior possibilidade de confronto com a força policial. Para combater esse problema, pretendemos ampliar o Grupo Especial de Policiamento em Áreas de Alto Risco, o GEPAAR. Trata-se de grupo com maior poder de bélico e de doutrina mais rígida, que tem demonstrado ser muito útil também em diversas outras atividades, por exemplo, na Operação Verão e agora na Operação Humanitária do Rio Grande do Sul, onde atuou junto com outras tropas para o policiamento nas áreas alagadas e em situações adversas de clima, salubridade e condições de trabalho. Queremos ampliar esse Grupo para todos os cinco batalhões de polícia ambiental do Estado. Também estamos reformulando a organização do policiamento ambiental para estrutura mais moderna, com foco principal na prestação de serviço, diminuindo rotinas burocráticas e maximizando estruturas que contribuam diretamente para a assistência ao Meio Ambiente e à população. 

JSZN: Como a Polícia Ambiental atua na prevenção das ações e campanhas de aproximação junto à população? 

Cel. PM Navarro: Essa é uma pergunta bem interessante. A Polícia Ambiental não atua apenas na repressão ou na prevenção por meio do policiamento e do patrulhamento, mas também por meio de campanhas e até de educação ambiental em escolas, empresas e outras instituições. Recentemente, a Lei Orgânica das Polícias Militares firmou nossa competência e até nosso dever em atuar na Educação Ambiental como órgão do Sistema Nacional do Meio Ambiente; então não se trata de opção, é nosso dever e até nosso desejo de fazer Educação Ambiental, seja por meio de campanhas, seja por meio de palestras, exposições etc. Digo que é nosso desejo porque esse é um modo de evitarmos no futuro que o dano ambiental exista. Trata-se de um investimento. Nosso principal objetivo é que os recursos naturais estejam preservados e não pereçam. Posso dizer que essa é também uma das frentes que pretendo ampliar: a educação ambiental em todas as suas formas. Isso torna o tema ambiental mais latente e dá maior visibilidade à Polícia Ambiental. Devemos cultivar uma relação de confiança, e ela é conquistada quando os parceiros se conhecem e convergem em ideias. Aproximar-se da população em todas as oportunidades é um ganho muito significativo para nosso serviço e em consequência para os cidadãos.  

JSZN: Como funciona o programa do Governo do Estado de São Paulo que tem a finalidade de cuidar dos animais domésticos? 

Cel. PM Navarro: Hoje a questão dos animais domésticos é um tópico sensível. As mudanças sociais elevaram o animais de estimação a um patamar que não existia há algumas décadas. Observando essas transformações, não apenas o Governo do Estado, mas todas as esferas de poder têm se empenhado em acompanhar essa nova consciência coletiva na questão. Nos últimos anos foi implantada, por exemplo, aqui no Estado de São Paulo, a Delegacia de Proteção Animal, a DEPA, na qual se pode fazer denúncias de maus-tratos a animais, e os domésticos são os que mais aparecem nas denúncias. Também estamos agilizando um atendimento mais rápido aos chamados de maus-tratos a animais, principalmente por meio dos batalhões de policiamento de área, que têm uma capacidade de agir com mais velocidade, já que têm um contingente muito maior, quando comparado com o policiamento ambiental. A proteção aos animais é mesmo uma questão de primeira importância para o policiamento ambiental. Para se ter uma ideia de como lançamos olhar no assunto, temos hoje uma Comissão de Oficiais que está produzindo um estudo exatamente pra aperfeiçoar a questão da proteção aos animais contra maus-tratos, então nossa expectativa é que em breve estaremos com novos procedimentos operacionais nesse sentido. 

JSZN: A imprensa é fundamental no combate aos maus tratos? 

Cel. PM Navarro: A imprensa tem um papel fundamental no combate aos maus-tratos a animais. É ela nossa melhor voz para alcançar ao público em geral sobre a importância do tema. Sem a imprensa, nossa atuação é limitada aos nossos arredores.... a educação ambiental, em geral é solicitada por alguém que já tem interesse no tema; seja ele permanente ou temporário. Também fazemos educação ambiental por iniciativa própria, mas os meios de Comunicação em massa têm uma abrangência maior, têm outra dimensão, alcançam pessoas que não têm uma preocupação específica, e por isso pode ter uma insensibilidade de perceber o problema.  

JSZN: Como o Sr. vê o desastre ambiental causado no nosso litoral norte e como está vendo o desastre ambiental que o Estado do Rio Grande do Sul está passando no momento? 

Cel. PM Navarro: São momentos extremos, que a natureza mostra a sua força e percebemos como somos dependentes dela. Eles provam que as intervenções humanas devem ser muito planejadas. O urbanismo está ganhando mais importância, com a concentração de pessoas nas áreas urbanas. No caso de São Sebastião atuamos com equipes do litoral e da Grande São Paulo, principalmente no transporte de socorristas que não conseguiam chegar às vítimas com viaturas normais. Temos viaturas 4x4 e muitos policiais especialistas em condução dessas viaturas, o que aumentou em muito a capacidade de equipes da Defesa Civil, dos Bombeiros e outros nos salvamentos. No caso do Rio Grande do Sul, nossas equipes saíram daqui no dia 8 de maio, e estamos lá desde então. A missão é parecida, mas os meios são outros. Temos uma capacidade de mobilização de embarcações. Aqui elas são utilizadas no fiscalização ambiental, mas lá estão resgatando pessoas, animais, levando mantimentos, remédios etc. Esse é o resultado de um trabalho de preparo não apenas em equipamentos, mas também em treinamento e capacitação.  

JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte? 

Cel. PM Navarro: As mídias regionais têm uma capilaridade muito interessante na comunicação de informações. Elas estão mais próximas do público pois estão inseridas no ambiente onde atuam de forma intensa. Elas conhecem os problemas, as pessoas, as possíveis soluções... O Semanário da Zona Norte é um exemplo emblemático das mídias sociais. Há um hábito comunitário de sua leitura na região, e das personalidades da localidade, o que lhe dá legitimidade e representatividade. Uma das principais importâncias, então está em ser reconhecido como um meio de comunicação confiável e com inserção no meio social. As duas coisas devem andar juntas e assim causam um efeito de transformação social, que no passar do tempo, se observarmos, é gigantesco para a Zona Norte e assim para a cidade e para o  Estado. 

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