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Quinta-feira, 25 de Junho 2026
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Semana Justiça pela Paz em Casa tem adesão de 256 comarcas do TJSP

Dados revelam recorde de sentenças de feminicídios

Semana Justiça pela Paz em Casa tem adesão de 256 comarcas do TJSP
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A campanha “Justiça pela Paz em Casa” – iniciativa do Conselho Nacional da Justiça (CNJ), que teve sua 13ª edição realizada entre 11 e 15 de março, com mutirões de ações de prevenção e combate à violência doméstica contra a mulher, elaborados pelos Tribunais de Justiça brasileiros – cresce em importância diante do aumento dos casos de feminicídio nos últimos anos. Segundo o CNJ, foram 4.461 ocorrências em 2018, número 34% maior do que em 2016.

Como acontece em todas as edições, o TJSP, por meio da Coordenadoria da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar do Poder Judiciário (Comesp), coordenou ações que priorizam o julgamento de feminicídios e outros processos relacionados ao tema, bem como promoveu palestras, cursos e atividades pedagógicas em 256 comarcas participantes, totalizando 424 varas que contribuíram com a iniciativa.

A campanha faz parte da Política Judiciária Nacional de Enfrentamento à Violência contra as Mulheres no Poder Judiciário, Resolução do CNJ nº 254/18, e conta com três edições por ano. A primeira em março, coincidindo com o Dia Internacional da Mulher (8); a segunda em agosto, por ocasião do aniversário de sanção da Lei Maria da Penha (7); e a terceira, em virtude do Dia Internacional para a Eliminação da Violência contra a Mulher, estabelecido pela Organização das Nações Unidas (ONU), em 25 de novembro.

Fenômeno complexo

Segundo a juíza titular da Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher da Região Oeste, Rafaela Caldeira Gonçalves, o engajamento maior da opinião pública contribui para a reprovação de condutas agressivas direcionadas à mulher. “A violência de gênero no contexto doméstico-familiar sempre existiu, mas agora a sociedade está olhando para esse fenômeno de modo mais verdadeiro. Ofender e xingar as mulheres, por exemplo, não é socialmente aceito, como não deve ser. A agressão verbal e psicológica está na base dessa pirâmide e se agirmos por meio de políticas públicas e atuação no sistema de justiça nessa origem, certamente seremos mais efetivos para combater o feminicídio”, diz.

Por iniciativa da magistrada, um dos destaques da 13ª semana da campanha “Justiça pela Paz em Casa” do TJSP foi a realização de workshops para ajudar os servidores a aprimorar o atendimento às vítimas. Sob orientação de Artenira Silva, professora doutora e pesquisadora em Proteção de Grupos Vulneráveis da Universidade Federal do Maranhão (UFM), os funcionários compartilharam experiências, debateram artigos e abordaram situações práticas, com referência a estudos de Psicologia, Sociologia e Direito nos dias 13, 14 e 15 de março. O programa multidisciplinar priorizou o levantamento de possibilidades para adequar o exercício funcional dos servidores em relação às expectativas que as vítimas de violência doméstica e familiar têm sobre a Justiça.

Foram abordadas, por exemplo, situações em que a vítima retira a queixa um dia após uma medida protetiva ser deferida, ou quando a denunciante reclama no fórum que o agressor foi preso por descumprir uma determinação judicial. “Muitas vezes uma pessoa recorre à Justiça sem saber a diferença entre inquérito policial, medida cautelar e ação penal, desconhecendo, também, o resultado prático de cada um desses procedimentos, o que pode gerar frustrações. Mas se as informações sobre as medidas judiciais forem reforçadas desde os primeiros atendimentos, a expectativa das vítimas poderá ser mais adequada, além de melhorar o sentimento de satisfação dos servidores em relação à eficácia de seus trabalhos”, destacou Artenira Silva.

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