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Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
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Richarlison e seus companheiros furaram a retranca ideológica difícil de transpor

Colunista Otávio Santana do Rêgo Barros

Richarlison e seus companheiros furaram a retranca ideológica difícil de transpor
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É preciso reacendermos os archotes que foram apagados durante a disputa eleitoral e iluminarmos os caminhos que deveremos seguir para alcançarmos a paz e o bem-estar sociais.

Domingo dia 20 de novembro, nas escadas do santuário Dom Bosco, aqui em Brasília, fui cumprimentado alegremente por um casal de turistas vestidos com a camisa verde e amarela da seleção brasileira.

Tiravam fotos e apreciavam os belos murais azulados representando as quatorze estações da via sacra.

Fossem outros tempos, não duvidaria que aquelas pessoas estavam antenadas com a Copa e se preparavam para torcer orgulhosamente pela seleção.

Todavia, o rescaldo das eleições mais concorridas em nosso país trouxe como consequência até uma disputa pelas cores nacionais.

Aos poucos as águas do rio parecem voltar ao leito natural e a maioria das pessoas começa a se conscientizar de que a vida tem que seguir seu curso.

O pároco, como a perceber a importância do momento, trouxe-nos a magistral oração de São Francisco e destacou na homilia: onde houver discórdia que eu leve a união.

Na quinta-feira, o jogo contra a Sérvia fez o milagre que há tempos esperávamos: unir todos os brasileiros em torno de um só coração, de um só ideal.

Richarlison e seus companheiros furaram a retranca ideológica difícil de transpor. Jogando pelas laterais, evitando os pontos fortes da defesa adversária, enviaram a mensagem que estávamos ansiosos para receber.

Está na hora de nos conectarmos fora de nossas bolhas. Trabalhar em equipe, ouvir outras opiniões, discordar com serenidade e arejar o entendimento sobre o mundo.

A propósito, recomendo o livro de Hans Rosling, Factfulness, o hábito libertador de só ter opiniões baseadas em fatos (Record, 2019). Nele, o autor desconstrói a nossa tendência de opinar por emoções, de sermos quase sempre pessimistas.

O mundo sofreu modificações e as tribos sociais simplificaram o ato de opinar, transformando a convivência entre semelhantes em uma batalha de emoções.

Caminhamos às escuras um tempo.

É preciso reacendermos os archotes que foram apagados durante a disputa eleitoral e iluminarmos os caminhos que deveremos seguir para alcançarmos a paz e o bem-estar sociais.

Pensando bem, aquele casal simpático se antecipou, assimilando a união proposta pelo capelão. Espero que tenham desfrutado a passagem pelo Distrito Federal. A energia legal que carregavam me foi contagiante.

Paz e bem!

 

Otávio Santana do Rêgo Barros, general de Divisão da Reserva

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