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Refletindo sobre alguns mistérios

Shakespeare, conhecido como  poeta, dramaturgo e ator inglês...

Refletindo sobre alguns mistérios
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Shakespeare, conhecido como  poeta, dramaturgo e ator inglês, tido como o maior escritor do idioma inglês e o mais influente dramaturgo do mundo, nos alertou de que “existe muito mais entre o céu e a terra do que a nossa vã filosofia possa imaginar”.

Essa reflexão talvez decorra de alguns pensamentos que desde a antiguidade permeiam a vida do homem, tal como a frase encontrada num papiro egípcio de 3.000 a.C. no sentido de que “antes de nascer, a criança já viveu e a morte não é o fim. A vida é um evento que passa como o dia solar que renasce”, ou ainda, de outra que consta de um livro sagrado hindu também de 3.000 a.C. que diz que “da mesma forma que nos desfazemos de uma roupa usada para pegar uma nova, assim a alma se descarta de um corpo usado para se revestir de novos corpos”.

A filosofia, por Zoroastro, Aristóteles, Platão e tantos outros, ao lidar com o conhecimento e com o pensamento crítico de forma abstrata e conceitual, desdobrando-se em si mesma ao questionar o mundo e sobre os fundamentos da realidade, também se esforçou e se esforça em relação a essa temática tal qual Sócrates, que viveu entre 469-399 a.C., ao afirmar que Estou convencido que vivemos novamente e que os vivos emergem dos que morreram e eu as almas dos que morreram estão vivas”

Na religião, quem já teve oportunidade de ler a Bíblia constata que as questões relacionadas com os ditos fenômenos sobrenaturais eram comuns na vida dos hebreus como a aparição de anjos, comunicação entre vivos e os chamados mortos, bem como os milagres dentre os quais curas de doenças. Também, são várias as passagens que evidenciam que a sobrevivência do espírito a morte física e a reencarnação.

Dessa constatação tem-se, com mediana clareza, que sempre existiram e coexistiram os mundos material e espiritual, bem como já era pacífica a hipótese da reencarnação, não havendo como imputar ao Espiritismo tais descobertas ou invenção.

Essa breve digressão é oportuna porque ainda nos dias atuais encontramos muitas discussões acerca desses temas, como se novos fossem.

Ocorre que, de um lado, a mediunidade é inerente ao ser humano e possibilita a interface entre o mundo físico e o espiritual. A reencarnação, por sua vez, associada à denominada lei de causa e efeito, viabiliza a reparação de erros pretéritos.

Exemplo disso encontramos em João 3:1-16 quando Jesus conversa com Nicodemos e afirma que ninguém pode ver o reino de Deus se não nascer de novo, ou, em Mateus 17:1-3 e 10-13 na passagem que Ele conduziu Pedro, Tiago e João, a um alto monte e transfigurou-se diante deles, tendo seu rosto resplandecido como o sol e suas vestes se tornaram brancas como a luz, e lhes apareceram Moisés e Elias, falando com eles. ... Após a transfiguração, ao descerem do monte, os discípulos perguntaram-lhe por que os mestres da Lei diziam que Elias deveria vir primeiro? e como resposta lhes foi dito que, conforme previam as profecias, Elias já tinha vindo e não havia sido reconhecido, aliás, ao contrário, fizeram com ele tudo o que quiseram e assim também fariam com o Filho do Homem que seria maltratado.

Por falar em profecias, a figura bíblica dos profetas aparece como sendo da pessoa que tem poderes para fazer consultas a Deus ou receber da divindade as revelações que deveriam ser transmitidas ao povo. No entanto, isso nada mais é do que hoje tratamos como mediunidade que, aliás, é inerente a toda pessoa.

Também cabível lembrar que, até o advento do Concílio de Constantinopla no ano de 553, o cristianismo primitivo, tal qual acontece em outras religiões, pacificamente entendia e aceitava a reencarnação. Entretanto, influenciado por sua esposa, o Imperador bizantino Justiniano I, determinou que essa temática fosse excluída da religião que ganhava forma e força no Império Romano.

Constata-se, portanto, que desde o início do calendário hebraico – há 5781 anos -, que difere do gregoriano – em 2020 anos -, as questões relativas à mediunidade e à reencarnação são registradas, a significar que deveriam ser encaradas com naturalidade pelos homens e pelas crenças porque inerentes à própria evolução do espírito.

Nessas circunstâncias, o espiritismo, enquanto uma doutrina baseada no tripé ciência, filosofia e religião, em nada inova ao procurar demonstrar a imortalidade da alma, sendo certo que médiuns e mediunidade não são privilégios seus, bem como que por meio da reencarnação são reiteradas as oportunidades para o aperfeiçoamento moral do ser humano.

Aliás, Buda – 563-483 a.C. - já alertou que “os seres humanos que se apegam demasiado aos valores materiais são obrigados a reencarnar incessantemente, até compreenderem que ser é mais importante que ter.”

Pense nisso...

 

Paulo Eduardo de Barros Fonseca

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