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Sexta-feira, 11 de Setembro 2026
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Recuperar o tempo escoado

Nossa educação já foi muito melhor. Não naquela visão estreita da escolarização, hoje praticamente universalizada

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Nossa educação já foi muito melhor. Não naquela visão estreita da escolarização, hoje praticamente universalizada. Mas numa compreensão mais abrangente, que leva em consideração a formação integral da personalidade humana. Porque ela começava em casa. Com mães zelosas, que se empenhavam na criação de filhos paradigmáticos. O orgulho da mãe educadora era ver o filho ascender em sabedoria, apreender o acervo imenso de conhecimento que o tornasse uma pessoa equilibrada, sábia e, dentro das limitações e das vicissitudes a que todos estamos sujeitos, uma pessoa feliz.

Isso é chamado o “currículo oculto” ou “currículo implícito”, responsabilidade pela âncora poderosa que, dentro do lar, impulsiona os valores, consolida a ética e prepara a cidadania.

Se a revolução feminina foi a mais importante do Século 20, como sempre reafirmava Miguel Reale, ela tem seu lado a ser devidamente ponderado. A mulher teve de enfrentar o mercado de trabalho, equiparou-se ao homem. Este não havia sido educado para a divisão das tarefas domésticas. Algo que precisa estar sempre na consciência das feministas é a de que o machismo provém de uma educação materna machista. As mães é que, talvez instintiva e inconscientemente, educam seus filhos machos para não se subordinarem às suas futuras mulheres.

De qualquer forma, foram muitas as corajosas mulheres que partiram para a luta da igualdade e, nesse trajeto, descuidaram-se da educação da prole. Os homens não souberam preencher esse vazio. O resultado foi uma geração que ficou um pouco sem referências. E uma visão libertária, sem proibições e sem limites, produziu levas de jovens que, à falta de diretrizes, perde o sentido da existência.

É urgente a consciência de que educar é missão da qual ninguém, absolutamente ninguém, está excluído ou isento. O constituinte foi sábio ao redigir o artigo 205 da Constituição Cidadã de 5.10.1988: a educação é direito de “todos” – de todas as pessoas, em qualquer idade, em qualquer condição. Pois educação é um processo permanente. Nunca termina. Há sempre algo a aprender. Por mais que se estude, quem vai galgando essa escada sedutora do saber, só vislumbra a imensidão do que ainda desconhece. Por isso a vocação de aprender sempre, até o último dia de permanência neste sofrido planeta.

Só que esse “direito de todos” é dever do Estado e da Família, com a colaboração da sociedade. Ora, numa dessas categorias nós nos enquadramos. Às vezes, estamos em várias delas ou em todas elas. Por isso, ninguém está excluído de educar.

Isso significa o compromisso humano com o aprimoramento da espécie. Uma espécie que tem mostrado regredir em tantos aspectos. O que justifica a violência, a agressividade, a crueldade, a frieza, a insensibilidade dos humanos?

Eu ouso dizer que há um desequilíbrio evidente em semelhantes que se afastaram da vocação de perfectibilidade. Esta é uma civilização cristã. Baseada na convicção de que o ser humano foi criado à imagem e semelhança do Criador. Mesmo quem não tem fé ou crença, há de reconhecer que a “regra de ouro” do Cristianismo é o “amai-vos uns aos outros”. Chaïm Perelman não é cristão, mas chama de regra áurea esse mandamento. Se ele fosse observado, a Terra seria outra. Poderia até lembrar o “Paraíso Perdido”, o início da ventura eterna já nesta vida finita.

Educar é treinar para o convívio o quão possível civilizado. A vida é muito curta. Algumas décadas e nada mais. Está valendo a pena para você passar este período no planeta Terra? E a sociedade humana ficou melhor porque você nasceu? Você é parte da solução dos inúmeros problemas que nossa insensibilidade criou ou você intensifica esses problemas, fruto de nossa ignorância e de nossa cupidez?

São indagações que sempre cabem, mas que se tornam mais urgentes em tempos de mudança, como os que agora todos enfrentamos.

*Reitor da Uniregistral, docente universitário e Presidente da Academia Paulista de Letras, gestão 2019-2020.

 

José Renato Nalini

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