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Sábado, 27 de Junho 2026
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Quem não aplaude...

Colunista José Renato Nalini

Quem não aplaude...
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Parte considerável dos detentores de autoridade transitória, aquela que vem com cargos públicos, quer aplausos e reverências. Encontram sempre um grupo de áulicos, ávidos por satisfazer o chefe em todas as suas vontades. Por isso é que a crítica é uma experiência excepcional na vida do poderoso. Ele se acostuma com a corte. Quando ela falta, ele nem sempre reage bem. 

Isso aconteceu no decorrer da História e continua a ocorrer. O fanatismo envolveu Hitler, Mussolini, Franco, Salazar e tantos outros. Falo apenas dos mortos, para não suscitar ruídos. 

Conta-se que, principalmente na Alemanha e na Itália, não se podia abordar qualquer mácula no regime nazista ou fascista. Nada, no ideário de ambos, seria censurável. O princípio era de absoluto êxtase, só se permitiam manifestações laudatórias aos chefes. 

Certa feita, o Duce – Benito Mussolini – fazia uma viagem pelo interior e, nas vizinhanças de um povoado, deu-se uma pane em seu carro. O conserto demoraria cerca de duas horas. O motorista aconselhou-o a permanecer dentro do cinema da aldeia. Ele aceitou e entrou na sala de projeções, repleta. No escuro, incógnito, sentou-se em um dos últimos bancos. 

Em dado momento, exibe-se o noticiário em que a única figura a merecer espaço era o próprio Mussolini. A grande assistência, como impelida por um controle automático, irrompeu em aplauso. Todos de pé, exaltados, em frenética gritaria orquestrada. 

Benito deixou-se ficar sentado e quedo. Fruía daquele instante de glória. Terminado o espetáculo, um idoso dirigiu-se discretamente a ele: - “O senhor é imprudente! Eu também penso como o senhor em relação a Mussolini. Mas é muito perigoso não acompanhar os outros quando ele aparece, mesmo na tela. Aceite meu conselho: não faça mais o que fez agora. Pode-se arrepender!”. 

É assim que funciona. Os ouvidos ficam treinados para a melodia encomiástica. Um tom menos elogioso pode ofender a sensibilidade de quem se acostumou com a música da vassalagem. Guarde para você a sua opinião, se não coincidir com o catecismo da bajulação.  

*José Renato Nalini é Reitor da Uniregistral, docente da Pós-graduação da Uninove e Secretário-Executivo das Mudanças Climáticas de São Paulo. 

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