Em meio a um clima de instabilidade geopolítica mundial encenada por Rússia e Ucrânia/OTAN, inflação mundialmente em alta, países restringindo e liberando medidas sanitárias de controle da pandemia, enquanto aumentam os números de mortes diárias no Brasil por conta da Covid-19 é bem provável que o foco da psicologia esteja voltado para o acolhimento e cuidados com a saúde mental, além da busca pela cura das pessoas que estejam vivenciando transtornos diversos e lutos pelas perdas de pessoas queridas.
Diante deste cenário torna-se oportuno destacar uma visão da realidade que seja mais esperançosa, próspera e realizadora.
Como para tudo se supõe uma saída, contrapõe este estado de fragilidade e vulnerabilidade social a Psicologia Positivista dizendo ser possível selecionar aspectos positivos das vivências e experiências, que contribuam com uma perspectiva mais otimista de mundo. Para tanto, entendo que duas atitudes, dentre muitas outras, devam ser consideradas, pois podem viabilizar esta compreensão, quais sejam: aproveitar o Ócio e fazer um Detox Mental.
Detox Mental – a palavra detox vem de desintoxicar, que se refere à terapia para eliminar do corpo substâncias venenosas, como o álcool e as drogas. No sentido figurado fazer um Detox Mental significa evitar e eliminar os efeitos tóxicos de tudo que envenena a mente e adoece o EU Psicológico e Espiritual, causando estresse, depressão, tristeza, desesperança, medo, insegurança, etc.
Em outras palavras significa consumir informações em excesso e desnecessariamente, por vezes focadas em problemas, doenças e tragédias, sem que se perceba os estímulos negativos que estão sendo internalizados, os quais acabam intoxicando todos os sentimentos, logo não permitindo enxergar o porquê de estar se sentindo ansioso, infeliz, inseguro nas decisões, nas escolhas, exausto mesmo após uma férias do trabalho. Fazer um Detox Mental seria livrar-se do consumo tóxico produzido pelas redes sociais e mídias diversas.
Ócio – palavra originária do latim otium, que significa descanso, horas vagas, tranquilidade, que pode também ter o sentido de ocupação suave, prazerosa e satisfatória, logo equivale ao significado de lazer, não carregado de valores negativos, sobretudo quando confundida com a palavra ociosidade. Assim, quando o Ócio se associa ao lazer, pode ser pensado em recreação, pintura, artes, música, culinária, artesanato, diversão, enfim como forma de reposição de energia para o trabalho, recuperação física e mental ou ainda como forma de interação social.
Para os filósofos o Ócio está relacionado à felicidade diante de experiências do cotidiano, sendo considerada uma expressão tão antiga quanto a do trabalho. Domenico de Masi, sociólogo, explanou sua ideia de ‘ócio criativo’ em que associou estilo de vida e trabalho com criatividade, onde o tempo livre e o lugar de trabalho poderiam fazer surgir uma nova economia. Talvez, ainda na década de 90 já visualizava os benefícios do home office. Aproveitar o Ócio seria optar por atividades e informações que produzem bem-estar e felicidade.
Articulando ambos os conceitos com as propostas da psicologia positivista, é possível inferir que as pessoas em isolamento social podem, com um pouco de criatividade, reinventar a forma de aproveitar o Ócio e realizar um Detox Mental, cuja atitude poderá produzir uma sensação de leveza, tranquilidade, descanso, elevando assim os níveis de Qualidade de Vida e Saúde, apesar do momento de intranquilidade social, econômica e ambiental.
Coronel PM PAULO AUGUSTO LEITE MOTOOKA
Comandante da Polícia Militar Ambiental do Estado de São Paulo
Mestre e Doutor em Ciências Policiais de Segurança e Ordem Pública
Bacharel em Psicologia, Direito e Especialista em Direito Ambiental