Aguarde, carregando...

Quarta-feira, 17 de Junho 2026
Notícias Colunistas

Presentear com dinheiro

A proximidade do Natal – as lojas já têm decoração natalina – leva àquela preocupação de sempre.

Presentear com dinheiro
Espaço para a comunicação de erros nesta postagem
Máximo 600 caracteres.

A proximidade do Natal – as lojas já têm decoração natalina – leva àquela preocupação de sempre. O que dar de presente para a família e para aqueles que esperam nossa manifestação?

Ao ler o livro de Michael J. Sandel, “O que o dinheiro não compra. Os limites morais do mercado”, encontrei uma reflexão interessante, que partilho com os leitores.

Para ele, dar presentes é uma expressão de amizade. Só que o aspecto monetário às vezes é obscuro, em outros é explícito. Enxerga certa monetarização dos presentes, exemplo da crescente mercantilização da vida social.

Do ponto de vista da lógica de mercado, é sempre melhor dar dinheiro do que um presente. O presenteado sabe melhor suas preferências. Se o objetivo de dar presente é fazer alguém feliz, difícil não concluir que a melhor opção seja dinheiro.

Sandel cita o artigo escrito por Joel Waldfogel, economista da Universidade da Pensilvânia, com o título “O desperdício do fardo de Natal”. Considera uma epidemia de utilidade desperdiçada nos presentes de fim de ano. O tema foi desenvolvido num livro, do mesmo autor: “Economia da avareza: por que você não deve dar presentes de fim de ano”.

O argumento é o de que as compras feitas por outros, com a melhor das intenções, nunca vão coincidir com a nossa própria escolha. Ele fez uma pesquisa interessante: mandou os presenteados avaliarem o quanto havia sido gasto no presente que ganharam. Em regra, a pessoa que recebeu avalia em 20% menos do que custou. E sua conclusão é muito eloquente: “Considerando-se os 65 bilhões de dólares anualmente gastos nas festas de fim de ano nos Estados Unidos, temos treze bilhões de dólares de satisfação a menos do que se gastássemos esse dinheiro da maneira habitual: cuidadosamente conosco mesmos. Os americanos comemoram as festas com uma orgia de extinção de valor”.

Os americanos são tão pragmáticos, valorizam tanto o tempo que o consideram idêntico ao dinheiro: Time is Money. Por que continuam, então, a presentear? Porque os presentes são “a sinalização do amor”. Daí a conclusão do economista: minha razão diz que o melhor presente é dinheiro. Mas o resto de mim não aceita. Isso porque há um estigma a impregnar o dinheiro. Se não houvesse tal preconceito, haveria uma geral aceitação de que o dinheiro permite ao presenteado comprar o que quiser, de acordo com o seu gosto, sem ter de fingir contentamento por haver ganho o que nunca usará ou o que nunca teria comprado.

A tese econômica contra o hábito de presentear não é moralmente neutra. Pressupõe certa concepção de amizade, que não pode ser desprezada. Conclusão: as pessoas esperam! Cheque, dinheiro vivo ou o objeto que entendermos adequado, não deixemos morrer a tradição dos presentes de Natal.

José Renato Nalini

* Reitor da Uniregistral, professor da Uninove e Anchieta, autor de “Ética Geral e Profissional”, 13ª ed., RT-Thomson Reuters.

+ Lidas

Nossas notícias no celular

Receba as notícias do Semanário ZN no seu app favorito de mensagens.

Telegram
Whatsapp
Entrar

Veja também

Não possui uma conta?

Você pode ler matérias exclusivas, anunciar classificados e muito mais!
Termos de Uso e Privacidade
Esse site utiliza cookies para melhorar sua experiência de navegação. Ao continuar o acesso, entendemos que você concorda com nossos Termos de Uso e Privacidade.
Para mais informações, ACESSE NOSSOS TERMOS CLICANDO AQUI
PROSSEGUIR