Envolto em paradigmas de modernidade e tecnologia que superaram quaisquer outros períodos da história da humanidade, diariamente o homem contemporâneo se depara com controvérsias em diferentes campos do conhecimento, do pensamento e da religião.
Relativizando conceitos, inclusive de certo ou errado, e com a fragmentação do espectro social em nichos, aparentemente, setores perdem seu referencial balizador e buscam novos caminhos para o direcionamento do que seja verdadeiro ou enganoso para a vida em sociedade.
Essa situação cria embaraços de todas as ordens, mas, sobretudo, comportamentais porque paradigmas sociológicos, que decorrem da forma de ver a relação entre o indivíduo e a sociedade, passam a ser questionados.
Ocorre que, quando se busca o equilíbrio das desigualdades e o convívio respeitoso e harmônico entre as pessoas, intolerância e discriminação não podem destruir a idéia de defesa das liberdades e igualdades sociais. Para que seja possível recriar formas de vida coletiva ou privada torna-se fundamental reconhecer e garantir valores e princípios universais.
Essa é uma reflexão que merece ser feita individualmente, de modo que cada pessoa possa se posicionar frente às demandas do cotidiano, sobretudo porque se, de um lado, paradigmas precisam e devem ser quebrados na busca do aperfeiçoamento social; de outro modo, os pilares de sustentação da sociedade, como uma necessidade, devem ser mantidos intactos, para que não haja o esgarçamento dos valores éticos e morais que norteiam as relações sociais.
Assim, enquanto limite que não comporta modificações e que deve ser considerado como uma cláusula pétrea para a mantença ordenada das relações sociais, onde todos devem ter seus direitos prestigiados, é de se ter claro que a herança do pensamento do Cristo, traduzida pelos valores morais que foram exemplificados, propicia isonômica oportunidade de compreensão de que tudo e todos que nos cercam, independentemente de classe social, etnia, nacionalidade etc., devendo ser respeitada.
A busca constante do convívio harmônico entre as pessoas, sem intolerância ou discriminação, não pode alterar a idéia de liberdade que, como diz Rodolfo Caligaris, em As Leis Morais, 2001, “... não é absoluta, e nem poderia sê-lo, pela simples razão de que, convivendo em sociedade, o homem tem o dever de respeitar esse mesmo direito de cada um de seus semelhantes”, como defesa das liberdades sociais.
Praticar a máxima do amar ao próximo como a si mesmo é exercitar a vontade, fazer escolhas respeitando o direito alheio e, sobretudo, refletir o amor de Deus.
*Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.