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Segunda-feira, 21 de Setembro 2026
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Pós-graduação: faz diferença?

Alguns privilegiados conseguem terminar o curso universitário e consideram essencial continuar a trajetória.

Pós-graduação: faz diferença?
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Alguns privilegiados conseguem terminar o curso universitário e consideram essencial continuar a trajetória. Fazem especializações, pós-graduações em sentido lato e em sentido estrito. Mestrado acadêmico, ou MBA e Doutorado. Raros atingem o Pós-doutorado e não se consideram suficientemente qualificados.

A inspiração está correta. Aprender é a vocação humana durante a ventura terrena. Mas há reflexões a serem feitas quanto à predominância de uma orientação que prestigia a forma em detrimento da substância.

Proliferam as pós-graduações no Brasil. Multiplicam-se os Mestres e os Doutores. Mas o término de um Mestrado ou Doutorado, para permanecer no âmbito do sentido estrito, fazem realmente diferença para o educando ou para o País?

A volúpia pela anotação permanente de cada atividade reflete a tendência de se valorizar o rótulo, sem perscrutar o conteúdo. Como se avalia um docente, senão pelo resultado de suas aulas?

A avaliação atual da pós-graduação brasileira foca a formação e a pesquisa, mas a partir de dados que o próprio interessado fornece. Daí a incessante alimentação da Plataforma Lattes, repositório da vida de qualquer integrante do sistema oficial da intelectualidade do Magistério.

Colecionar quantitativamente artigos, palestras, até livros, pode não refletir, em plenitude, o significado de uma carreira como fator de aprimoramento da cultura brasileira.

Em boa hora se acenou com novo modelo de avaliação, que levará em consideração a transferência de conhecimento, a internacionalização e o impacto na sociedade. Afinal, uma dissertação ou uma tese devem servir para que? Para elevar, ainda que em grau mínimo, o acervo de conhecimento útil numa determinada época, naquele preciso local.

É claro que fica difícil formatar indicadores precisos. Mas é urgente adotar critérios que levem em consideração a utilidade prática da pesquisa, o que ela vai representar na facilitação de práticas solucionadoras de problemas, qual o seu índice de inovação. Impõe-se deixar a burocrática anotação de dados formais e inócuos, para a adoção de uma avaliação multidimensional, assim como o Primeiro Mundo já faz. Isso já existe na elaboração do ranking U-Multirank, instituído em 2014 por um consórcio de centros de estudos alemães e holandeses.

Dissertações e teses que só evidenciem erudição na redação de elucubrações teóricas, sem qualquer alcance prático, talvez não contribuam para reduzir o manifesto gap brasileiro no setor único suscetível de fazer do Brasil a Nação dos nossos anseios.

*Reitor da Uniregistral, docente da Pós-Graduação da Uninove e presidente da Academia Paulista de Letras – 2019-2020.

José Renato Nalini

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