Dia desses, juntamente com alguns amigos, ponderávamos sobre o tempo e, após algum debate, concluímos que embora possa parecer simples, o tempo é algo realmente complexo.
De fato, essa é uma preocupação antiga que transita desde as definições leigas de que tempo é a duração dos fatos; pelas reflexões filosóficas e envereda pela ciência até os físicos da mecânica quântica na percepção de que tudo flui imerso no tempo que aparentemente segue em uma única direção, refletindo a transitoriedade de tudo.
Sobre essa questão, Santo Agostinho, um dos mais importantes teólogos e filósofos nos primeiros séculos do cristianismo, no livro XI da Obra Confissões, faz a seguinte reflexão: “Que é, pois, o tempo? Quem poderá explicá-lo clara e brevemente? Quem o poderá apreender, mesmo só com o pensamento, para depois nos traduzir por palavras o seu conceito? E que assunto mais familiar e mais batido nas nossas conversas do que o tempo? Quando dele falamos, compreendemos o que dizemos. Compreendemos também o que nos dizem quando dele nos falam. O que é, por conseguinte, o tempo? Se ninguém me perguntar, eu sei; porém, se o quiser explicar a quem me fizer a pergunta, já não sei.”
A reflexão Agostiniana, de um lado, começa com o problema em definir o que é o tempo, com a análise de que todos sabem o que é quando nele se fala, mas ninguém diz o que de fato ele é. De outro modo, Santo Agostinho avança no seu pensamento explicitando que nada sabemos nem podemos saber sobre o tempo, porque estamos imersos na temporalidade, e uma reflexão sobre algo exige certa exterioridade, o que não temos nesse caso. Por fim, ele chega à conclusão de que só o eterno consegue saber o que é temporal.
Para a ciência, na chamada física clássica, o universo seria composto por três dimensões, entretanto, a física moderna mostra o universo com quatro dimensões, três dimensões de espaço e a quarta, de tempo. Portanto, o tempo é uma dimensão do universo em que vivemos, sendo, mais especificamente, a quarta dimensão.
Mas, o fato é que o que costumamos chamar de tempo, sem pensar muito sobre o que isso significa, é realmente um emaranhado de fenômenos diferentes e a maioria dos homens não percebe os valores infinitos do tempo. Desse modo, a passagem do tempo pode ser percebida pelos humanos de forma bastante subjetiva de modo que, se quisermos aprender mais sobre o universo, temos que mudar a nossa visão do tempo.
Já para a física quântica, por obvias razões, sem pretender emitir qualquer juízo de valor e muito menos acadêmico, a inexistência do tempo é uma possibilidade aberta e que deve ser levada a sério.
De qualquer modo e sob qualquer prisma é certo que todos nós podemos continuar vivendo nossas vidas sem respostas terminadas e precisas sobre o que é o tempo, mas diante da nossa curiosidade sobre como funciona a realidade sempre chegaremos à conclusão de que a vida é uma explosão de significados.
Para mim o tempo ensina que é preciso valorizar os momentos, seguir, amadurecer e se fortalecer na busca de um propósito em tudo que faço, simplesmente porque o tempo não volta e tempo é vida!
Portanto, como disse José Saramago, não tenhamos pressa, mas não percamos tempo.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca