O Prêmio Nobel foi criado na última década do Século 19 por determinação escrita no testamento do cientista sueco Alfred Nobel. Em 1900, foi criada a Fundação Nobel para administrar o fundo e regular a distribuição dos prêmios em cinco áreas: química, física, medicina, literatura e paz. Nos anos 1960, o Banco Central da Suécia instituiu o prêmio na categoria economia como uma homenagem a Alfred Nobel. Os premiados em 2019 são Abhijit Banerjee e Esther Duflo, um casal de cientistas que trabalha no Massachusetts Institute of Technology (MIT), e Michael Kremer, professor na Universidade de Harvard. Os laureados mostraram que o problema da pobreza é melhor resolvido quando é dividido em questões menores focadas no nível individual ou de pequenos grupos. Aplicada nos últimos vinte anos, esta pesquisa reformulou a economia do desenvolvimento.
O interessante no trabalho destes economistas é a abordagem que eles fazem da pobreza no mundo. Os pesquisadores demonstraram que o problema da pobreza deve ser tratado através de pequenas ações localizadas em lugar das medidas de grande abrangência. O trabalho consiste em elaborar perguntas menores e precisas em áreas como saúde e educação. Um dos experimentos realizado por eles, provou que a entrega de mais livros didáticos e a oferta de refeições gratuitas na escola produzem resultados modestos quando comparados a ajuda direcionada para alunos mais fracos que demonstrou ser mais eficaz. O resultado deste estudo beneficiou mais de cinco milhões de crianças que receberam aulas de reforço quando tiveram dificuldades escolares. Outro experimento realizado pelo grupo mostrou que a vacinação das crianças triplica quando os moradores de localidades mais carentes têm acesso aos serviços móveis de saúde.
O Banco da Suécia, ao conceder a premiação para o trio de pesquisadores salientou que mais de 700 milhões de pessoas ainda sobrevivem com rendas extremamente baixas; a cada ano, cerca de cinco milhões de crianças morrem antes de completar cinco anos por doenças que poderiam ser evitadas ou curadas por meio de tratamentos muito baratos; e, metade das crianças do mundo abandona a escola com noções muito básicas de aritmética e leitura. Neste contexto, os premiados apresentam respostas factíveis para solucionar o problema da pobreza.
O que podemos aprender com esta escolha do Banco da Suécia? Entendo que a solução de quase todos os problemas da humanidade possa ser obtida a partir de pequenas ações individuais que sozinhas possam parecer representar pouco, mas somadas resultem em grandes mudanças. Pequenas ações estão ao alcance de todos nós e a decisão por adotá-las depende de um ato de vontade.
Na área ambiental essas pequenas ações a que me refiro podem ser aquilo que estamos precisando. Vejo muitas manifestações indignadas partindo de pessoas que não estão vocacionadas para agir naquilo que é possível. As abelhas do mundo estão ameaçadas? Vamos plantar um pequeno vasinho com uma das espécies que atrai abelhas! A produção de lixo só aumenta? Vamos adotar ações de reciclagem agora, já. Não é preciso esperar as condições ideais para agir!
Fernanda Cangerana
*Bióloga, mestre e doutora em Saúde Pública