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Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
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Pandemia

Fiz uma pesquisa na internet em busca do número de pessoas com cem anos de idade ou mais.

Pandemia
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Fiz uma pesquisa na internet em busca do número de pessoas com cem anos de idade ou mais. Os resultados não foram unânimes, mas podemos considerar que existam entre trezentas mil e seiscentas mil pessoas centenárias vivendo no mundo hoje, dentre a população de sete bilhões e oitocentos milhões de habitantes. A pesquisa tinha o objetivo de entender quantos de nós, Homo sapiens que vivem na Terra, já haviam passado por um momento similar a este que vivemos agora.

A última grande pandemia, com números tão expressivos de contaminados e mortos, foi a gripe espanhola que aconteceu entre 1918 e 1920. Sua origem foi uma mutação do vírus Influenza e teve dispersão pelo mundo por conta da movimentação das tropas após o término da Primeira Guerra Mundial. No Brasil morreram aproximadamente trinta e cinco mil pessoas em uma população de trinta milhões e seiscentos mil habitantes. No mundo foi a causa de cinquenta milhões de mortes em uma população mundial de aproximadamente um bilhão e oitocentos milhões de habitantes. A gripe espanhola teve três ondas: março de 1918, agosto de 1918 e janeiro de 1919. A segunda onda foi responsável pelo maior número de infectados e mortos.

As primeiras infecções pela Covid-19 foram relacionadas a um mercado de animais vivos em Wuhan, China, sugerindo que o vírus foi transmitido por animais que estavam sendo vendidos como alimentos exóticos para os seres humanos. Em 30 de janeiro de 2020 a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou que o surto de Covid-19 é uma emergência de saúde pública de importância internacional, nível de alerta mais alto que esta instituição pode emitir. Em 11 de março a doença causada pelo novo coronavírus foi declarada como sendo uma pandemia, ou seja, uma epidemia em escala global.

Até o dia 27 de julho de 2020 foram confirmados 16.114.449 casos de Covid-19 e 646.641 óbitos. A taxa de letalidade, número de doentes que morreram por conta da doença, está em torno de 4%. Se comparada aos números de letalidade por outras doenças como a febre amarela, que ficou em torno de 40% no último surto vivido no Brasil, esse número não causa muito alarde. Por que então estamos todos isolados e com a economia ruindo? Porque a infectividade da Covid-19, que é a capacidade de um vírus penetrar em um organismo e se desenvolver provocando doenças, é muito alta.

Com um grande número de infectados surge um grande número de casos agravados e que necessitam de suporte médico para a sobrevivência causando uma sobrecarga dos serviços de saúde. Como ainda não temos uma vacina que possa proteger as pessoas da infecção, a única alternativa para controlar a dispersão do coronavírus é o isolamento social, sem contato as pessoas ficam protegidas do contágio e das possíveis consequências de uma piora do quadro clínico que possa exigir UTI.

A permanência em casa trouxe grandes mudanças. Muitas pessoas que vivem sozinhas estão precisando contar com o apoio remoto de familiares e amigos. Muitos tiveram suas rendas dramaticamente reduzidas e estão vivendo um momento de profunda apreensão causada pela redução da atividade econômica. Como previsto no início da pandemia, a taxa de desemprego no Brasil subiu para 12,9% no trimestre encerrado no mês de maio em relação ao trimestre anterior, com o fechamento de 7,8 milhões de postos de trabalho em relação ao trimestre anterior segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua Mensal (PNAD Contínua) do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

Os meios de comunicação tornaram evidente a redução dos impactos ambientais relacionados com a atividade humana, redução da demanda por energia, diminuição das emissões de poluentes atmosféricos, melhoria significativa para a fauna e flora ao redor do mundo. Esses ganhos ambientais foram comemorados por muitas pessoas, contudo, a economia precisará ser retomada, desta retomada depende a sobrevivência das pessoas no futuro. Neste momento teremos que ter a sabedoria de administrar nossos impactos ambientais negativos e controlar o contágio contra o qual só estaremos protegidos quando houver uma vacina eficaz.

* Bióloga, mestre e doutora em Saúde Pública

Fernanda Cancerana

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