Em meio a um estrondoso desenvolvimento científico e tecnológico o ser humano demonstra o seu desequilíbrio no aspecto moral, numa tentativa cínica de abusar da linguagem da ética. Isso porque algumas pessoas seguem agarradas ao poder, que é absolutamente efêmero, demonstrando que nem mesmo o isolamento decorrente da pandemia da Covid foi capaz de revelar a fragilidade das coisas da matéria.
O egoísmo, a ganância e a vaidade do ser humano estão entre os vícios que geram as guerras, mas “de onde vêm as guerras e os conflitos que há entre vocês? Não vêm das paixões que guerreiam em vocês? Vocês cobiçam coisas, e não as têm; matam e invejam, mas não conseguem obter o que desejam. Vocês vivem a lutar e a fazer guerras.
Não têm, porque não pedem. Quando pedem, não recebem, pois pedem por motivos errados, para gastar em seus prazeres.” (Tiago 4.1-3).
A guerra, mais uma vez, traz o mal e a violência à tona e ameaça modificar nosso futuro global de maneira que só podemos imaginar. A escala do sofrimento humano infligido por outros seres humanos parece pressupor uma dimensão do mal cósmico que desafia até mesmo nosso reconhecimento da depravação humana.
Isso porque o ser humano ainda deixa prevalecer sua natureza animal sobre a natureza espiritual para satisfazer suas paixões. Porém, se esquece de que mesmo que consigam vitórias temporárias estas somente servirão para lhe agravar a ruína moral, que será acentuada nas derrotas fatais.
Neste momento trágico e triste para a humanidade devemos lembrar de que somos espíritos em árduo processo de crescimento moral, mas que ainda trazemos no íntimo muito do caráter dominador, o qual se impõe sempre pela força, decorrente do instinto animal que sobrevive em nosso subconsciente.
Pode-se dizer que a guerra não é uma situação irreversível, mas é o resultado do estado evolutivo – passageiro – da humanidade.
De fato, o ser humano ainda não aprendeu a possuir, ou seja, ter a posse temporária de bens para sua vivência, pois com a morte perde-se tudo que é referente a bens materiais, e nem a conviver, compreendendo a justiça e praticando a lei de Deus, quando todas pessoas e os povos se entendam e sejam irmãos.
Mas, mesmo considerando que o progresso moral da humanidade é lento, há de se ter certeza de que um dia ela vai propiciar o banimento das guerras e de todo tipo de violência em nossa sociedade, num processo que nasce no indivíduo para alcançar o coletivo. Ora, se uma pessoa sozinha não pode evitar uma guerra entre nações, qualquer pessoa pode e deve decretar a paz em sua vida, no lar, no trabalho e junto aos demais, promovendo a fraternidade pessoal que somada a outros, redundam na paz coletiva.
Que este momento aflitivo coletivo seja breve e, sobretudo, revele uma oportunidade de evolução do ser humano no sentido de se alcançar a liberdade e o progresso, porquanto é inaceitável seguir convivendo com esse estado de barbárie.
Que a atual conjuntura seja propícia para que a humanidade note a necessidade da cooperação e da solidariedade, bem como do valor da democracia em si e o quanto é importante respeitar e, sobretudo, vivenciar os princípios da igualdade, da liberdade e da fraternidade.
Se, como disse Albert Einstein, “a paz é a única forma de nos sentirmos realmente humanos” a humanidade tem uma excelente oportunidade para deixar de vivenciar a contradição de buscar a paz através da guerra.
Lembro que o escritor português Antonio Alçada Baptista já alertou que “a paz não é nada que venha de fora. É uma imensa construção para a qual fomos feitos e que começa exatamente no coração de cada um. Nós somos responsáveis pela nossa paz e pela paz no mundo.”.
Assim, sem qualquer medo, precisamos vencer nosso maior inimigo – o nosso ego - e, sobretudo, compreender a verdadeira significância do ter ou ser para que, individual e coletivamente, possamos atuar como verdadeiros construtores sociais na evolução material e espiritual do planeta.
Que a paz esteja convosco!
Paulo Eduardo de Barros Fonseca