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Terça-feira, 17 de Março 2026

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Os grandes desafios ambientais da humanidade

Colunista Fernanda Cangerana

Os grandes desafios ambientais da humanidade
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Muito se fala sobre o papel do consumismo na degradação ambiental e, de fato, os padrões desmedidos de consumo, impostos por um marketing agressivo que leva à ideia de que devamos ser classificados por aquilo que possuímos, impõe ao meio ambiente uma retirada de matérias-primas e uma disposição de resíduos incompatíveis com a capacidade do planeta de absorver este impacto. Contudo, é preciso aprofundar a análise sobre as questões ambientais.

Ainda que abandonássemos esse modelo de compra extremamente danoso e adotássemos imediatamente o consumo consciente, os problemas de recuperação do planeta não estariam resolvidos. A humanidade precisa dar solução para uma série de demandas legítimas da população de pessoas que habita a Terra.

Precisamos alimentar, vestir, abrigar, e fornecer água para 7.753 bilhões de humanos. Além disso, precisamos dispor corretamente o lixo produzido, recolher, afastar e tratar o esgoto gerado por esses quase oito bilhões. E, estamos falando apenas das necessidades muito básicas que podemos considerar inerentes à sobrevivência, se estendermos esse olhar para aquilo que é preciso para conferir qualidade de vida, ainda que em patamares muito elementares, temos a necessidade de gerar energia elétrica e produzir bens industrializados.

Perceba meu querido e potencial leitor, não faço referência aos bens desnecessários, refiro-me à produção de panelas, vasos sanitários, refrigeradores e assemelhados, ou seja, o estritamente necessário para a referida qualidade de vida que mencionei acima. Para fornecer matéria-prima para os bens industrializados, precisaremos da mineração, uma vez que os processos de reciclagem não dão conta de fornecer toda a matéria prima exigida na atualidade.

Na coluna desta semana vou tratar do mais básico dos recursos que um humano precisa para sobreviver: a alimentação. Se quisermos alimentar os quase oito bilhões, precisaremos converter espaços em campos agriculturáveis. A produção de alimentos gera diversos impactos ambientais como desmatamento e, considerando a logística de transporte rodoviário de nosso país, poluição do ar, entre outros tantos. Neste texto escolhi discutir o uso de praguicidas por conta do intenso debate social que este tema provoca.

Na categoria praguicidas, ou agrotóxicos ou, ainda, defensivos agrícolas, figuram substâncias que têm por objetivo aumentar a produtividade da lavoura impedindo que outros organismos (larvas, insetos, fungos, outras plantas) consumam o produto destinado aos humanos ou atrapalhem seu desenvolvimento, reduzindo a quantidade de produto final. Os modelos alternativos de produção esbarram em entraves. Veja o exemplo dos produtos orgânicos, uma vez que não foram submetidos ao tratamento com os praguicidas sua produção é consideravelmente menor o que leva a um preço maior, além disso, sua durabilidade também é reduzida porque os decompositores do ecossistema (fungos e bactérias) podem agir livremente sobre eles, degradando-os em menor prazo do que os similares produzidos da forma convencional.

A mais pungente dúvida quanto aos praguicidas versa sobre seus efeitos deletérios para a saúde humana. Estudos sobre efeitos de praguicidas foram conduzidos, principalmente, no ambiente ocupacional, ou seja, considerando a exposição dos trabalhadores que aplicam o produto, e evidenciaram que essa exposição causa danos. Como os resíduos de praguicidas atuariam na saúde dos consumidores que se alimentam desses vegetais é um tema mais trabalhoso para pesquisar porque essa é uma exposição muito difícil de medir na sociedade. Quanto de agrotóxicos eu ingeri em meus 53 anos de vida? Impossível saber! Portanto, se eu desenvolver as doenças que suspeitam estarem relacionadas aos praguicidas (câncer, por exemplo), como saberemos se a causa estava, de fato, relacionada com essa exposição?

Sobre a questão da saúde ainda temos outras questões para levar em conta. Muitos dos preocupados com os danos causados pelos pesticidas, alimentam-se de grandes quantidades de sal, açúcar e gordura sem receio dos males causados por esse padrão alimentar. Para esses fica o alerta, o estudo “MORTALIDADE POR TRÊS GRANDES GRUPOS DE CAUSA NO BRASIL” desenvolvido por Roberto Passos Nogueira, disponível para leitura na íntegra em http://repositorio.ipea.gov.br/bitstream/11058/4645/1/bps_n.9_mortalidadeENSAIO1_Roberto9.pdf , aponta que as causas de morte no Brasil estão muito mais relacionadas com as doenças cardiovasculares, 27,5%, do que com os cânceres, 12,7%. Sem desmerecer a legítima preocupação com os efeitos dos pesticidas, deveríamos estar atentos ao padrão alimentar que determina o desenvolvimento de doenças do aparelho circulatório.

Outro problema decorrente do uso de pesticidas é a deposição dessas substâncias em ecossistemas nativos, vizinhos aos campos agriculturáveis. Por ação do vento ou por ação da chuva, não é incomum que essa dispersão ocorra. Na mata nativa, o agrotóxico irá agir da mesma maneira que na lavoura matando os organismos aos quais se destina e provocando desequilíbrios da cadeia alimentar.

Muitos daqueles que atacam o agronegócio em nosso país o fazem com a justificativa de que esse setor da economia causa estragos ambientais. Porém, é preciso haver o entendimento de que seja a fazenda de um proprietário particular, seja de uma cooperativa de pequenos produtores, seja do governo, os danos ambientais serão os mesmos e sua solução está relacionada ao desenvolvimento de novas tecnologias agrícolas que assegurem produtividade com redução de prejuízos para a natureza.

Grandes centros de pesquisa no Brasil trabalham no desenvolvimento de soluções que possibilitem reduzir o consumo dos agrotóxicos e muitas dessas pesquisas já estão em uso no meio rural, indicando que em futuro não tão distante possamos avançar para um modelo mais adequado de produção de alimentos que previna potenciais agravos para a saúde e para o meio ambiente. Por hora, se quisermos que cada pessoa tenha direito a receber a porção de alimentos necessária para sua sobrevivência e boa saúde, iremos causar impactos ambientais negativos.

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