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Terça-feira, 17 de Março 2026

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Olhando o passado com os pés no presente

Este é um dos esportes mais praticados atualmente em nosso país

Olhando o passado com os pés no presente
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Este é um dos esportes mais praticados atualmente em nosso país, em que fervilham os que se acham “intelectuais". Desprovidos de inteligência e preguiçosos para aprender, na saga de se tornarem doutores, num ambiente em que o que mais conta é o viés ideológico à esquerda, os aventureiros revisitam fatos históricos e o fazem sem qualquer contextualização ou entendimento da evolução sócio-política  da humanidade. O homem, eles desconhecem isso, tinha valores diferentes do que se pensa e se pratica hoje.

Com segundas intenções e sem a devida capacidade de entender como se comportava a sociedade à época e até mesmo de visualizar tudo o que estava influindo no fato, voltam ao passado e comentam os fatos históricos como se todos os progressos civilizatórios já tivessem acontecido, concluindo coisas absurdas e julgando os ancestrais por aquilo que hoje eles conhecem e não por aquilo que lhes impunha, aos ancestrais, a antiga realidade.

É assim que se viu o grande Monteiro Lobato ser taxado de racista por, em torno do personagem da Tia Anastácia expor, segundo os próprios, comentários racistas. Falam isso ignorando a realidade do início do século passado, como se o autor tivesse a capacidade de estar a frente do seu tempo. E nessa toada foram tratados os Bandeirantes, a Princesa Isabel,   o Duque de Caxias e muitos outros personagens da nossa história.

Com o 31 de março de 64 não poderia ser diferente. Falam em Golpe,  ignorando tudo o que acontecia no mundo e como era o país à época. Escondem  a existência de uma Guerra entre Capitalismo e Comunismo (Guerra Fria) e o esforço que os comunistas faziam para expandir sua influência por todo o Globo, incluída ai a América do Sul. Escondem as posições afrontosas à Constituição do então Presidente Jango. Não tratam de quão frágeis eram as Instituições. Escondem a conclamação do povo, da mídia e da classe política para que as Forças Armadas interviessem. Não dizem que o Congresso em funcionamento escolhia os presidentes que se alternavam no poder. Falam ditadura militar.

Escondem que a repressão e a censura aconteceram após a esquerda revolucionária, inspirada pela Ditadura que se instalou em Cuba, adotar a guerrilha e o terrorismo para a tomada do poder. Não falam que eles queriam implantar, aqui, o comunismo, como Jango havia tentado. O discurso é que lutavam contra o regime. Não falam dos roubos, sequestros, atentados a bomba e justiçamentos, para eles só vale a tortura e a censura sofridas. Não contam que tudo o que aconteceu foi para aplacar um mal que assolava o mundo e não apenas o Brasil. Os horrores da URSS e o “paredon" de Cuba não existiram.

Com os pés no presente, olham o passado e tratam daquele tempo como se o Brasil vivesse a sua melhor fase democrática e, de repente, os militares tivessem acordado de mau humor e por pura vontade tivessem destituído o Presidente e não contentes decretaram a censura e passaram a perseguir os estudantes, a imprensa e os inocentes que apenas queriam de volta a democracia.

Isto tudo publicaram nos livros didáticos e os nossos filhos vêm aprendendo essa “Estória” todos esses anos.

*Eduardo Diniz,Um Cidadão Brasileiro

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