Apesar de todo avanço científico e tecnológico alcançado pela humanidade no último século, o ser humano, de diversas maneiras, segue dando tratamento inadequado ao planeta.
De um lado, pessoas investidas do chamado poder, dividem o mundo em raças e religiões. São constantes as notícias de guerras que levam jovens à morte e causam enormes mazelas sociais aos idosos, mulheres e crianças. Exercícios militares e testes nucleares têm sido realizados e isso gera problemas de toda ordem, inclusive a natureza e a biodiversidade.
Por outro lado, é flagrante o desrespeito com recursos naturais como florestas e água, de modo que, dentre outros aspectos, tem havido enormes transtornos e desordens climáticas que causam grandes flagelos, tal qual ocorreu recentemente na Região Sul do nosso país.
Numa singela reflexão é possível afirmar que é inconteste que na ânsia pelo imediatismo e pelas conquistas materiais, de modo egoísta, há décadas o homem vem desrespeitando o planeta. O poder e o imediatismo buscados pelo homem moderno, aliado pelas conquistas materiais, que são efêmeras, evidentemente, têm causado grande impacto sobre o meio ambiente.
Assim, pode-se dizer que a ascensão da problemática ambiental ao centro das atenções requerer muito mais do que a simples sobreposição de políticas ambientais corretivas de excessos ou erros no uso de técnicas consideradas mais eficientes, mas uma mudança do padrão tecnológico dominante e, sobretudo, de postura por parte das pessoas, em especial daquelas que detêm o chamado poder.
A temática ambiental deve ser enfocada como um todo e para todos na exata medida em que se torna mais evidente que o crescimento econômico e a sobrevivência da espécie humana não podem ser pensados de modo dissociado, sem o saneamento do planeta e a administração inteligente dos recursos ofertados pela natureza.
O ser humano, único ser pensante deste planeta, deve, aqui, como obrigação, cumprir seu papel nesse processo porque o chamado desenvolvimento sustentável deve ser enfocado como um objetivo planetário, um objetivo que possa ser alcançado por toda humanidade.
O planeta deve ser considerado como um todo e não isoladamente, mesmo porque as fronteiras são marcos estabelecidos pelo homem e não pela natureza, partindo-se de um processo de conscientização e educação moral, portanto, espiritual, com o objetivo de reduzir ao mínimo o esgotamento dos recursos que nos são disponibilizados pela natureza, portanto, por Deus.
A natureza tem dado o alerta de que é preciso saber usar seus recursos com parcimônia, para que todos os homens deles possam desfrutar, tal qual as aves do céu. Jesus disse (Mateus 6:26,31,33): “Olhai para as aves do céu, que nem semeiam, nem ceifam, nem ajuntam em celeiros; e vosso Pai celestial as alimenta. Não tendes vós muito mais valor do que elas? Não andeis, pois, inquietos, dizendo: Que comeremos, ou que beberemos, ou com que nos vestiremos? Mas buscai primeiro o reino de Deus, e a sua justiça, e todas estas coisas vos serão acrescentadas.”.
O planeta produz o suficiente para satisfazer as necessidades dos seus habitantes, cabendo ao ser humano saber administrar de modo sustentável a sua produção, isso segundo as leis de justiça, caridade e amor ao próximo. Mas, não é por meio de leis que se decreta a caridade e a fraternidade. Se elas não estiverem no coração das pessoas, o egoísmo as asfixiará sempre. Fazê-las ali penetrar, é tarefa de todos nós.
Enfim, há de se compreender que o meio ambiente é um bem de uso comum e essencial à qualidade de vida de todos os seres que habitam o planeta e que mantê-lo ecologicamente equilibrado deve ser um objetivo planetário.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca