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Quarta-feira, 16 de Setembro 2026
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Ocorreu a prisão, e então...

...se a prisão foi do homem

Ocorreu a prisão, e então...
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...se a prisão foi do homem, a mulher permanecerá ligada a ele; assumirá os cuidados da casa e de tudo mais em sua ausência. Para ela, o vínculo que os une não se rompe... Por isso, vai visitá-lo semanalmente, suportando o vexame de revistas humilhantes e desconfortáveis. Leva comida, frutas, artigos de higiene e, se ele fumar, também cigarros.

Durante todo o tempo do aprisionamento, repete o sacrificante ritual, visitando-o chova ou faça sol. Cuida dos filhos, orientando-os da melhor forma possível e os mantendo unidos a si e entre si. Se precisar do recurso de advogados, de ajuda, de amparo, do que quer que seja que possa apoiar a causa de seu homem, ela irá em busca sem pestanejar...

Quando, enfim, ocorre a libertação, por cumprimento da pena ou em decorrência de algum recurso – o mais das vezes por empenho e esforço dela – lá está a mulher à porta do presídio para esperá-lo e o levar para casa. A mesma casa que ela preservou e manteve por todo tempo!

...se, entretanto, a prisão atingiu a mulher, a primeira coisa que o homem faz é afastar-se dela! Ir visitá-la no presídio, nem pensar: é muito penoso! Por algum tempo, talvez se preserve. Entretanto, não consegue ficar sem companhia... só que a companhia dos filhos não conta: precisa ser de uma mulher! Não raro, ele leva a “substituta” para a mesma casa, para que ocupe o lugar da ausente. Ou então, muda-se para “lugar incerto ou não sabido”, para que, ao sair, a antiga companheira não o encontre. Afinal, para ele, o vínculo já se rompeu... Os filhos, por sua vez, se colocam num triste dilema: ou aceitam a nova matriarca e procuram conviver harmonicamente, ou serão despachados para a casa de algum parente... dela!

Esse “retrato em branco e preto” mostra, na crua realidade verificada nos presídios masculinos e femininos, quão distinto é o comportamento dele e dela diante de tal ocorrência. Demonstra quão solidária é a mulher e quão individualista é o homem! Por isso, poetiza Victor Hugo:

“O homem é capaz de todos os heroísmos; a mulher, de todos os martírios”!

* Consultor, comunicador, jornalista, palestrante

e-mail: jboliveira@jbo.com.br

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