Woke, particípio passado do verbo inglês wake, que no contexto buscado significa estar acordado para as questões sociais. Originalmente voltado para os direitos civis naquilo que envolvia as questões raciais nos Estados Unidos da América, o movimento expandiu-se abarcando os direitos LGBTQIA+, feminismo, meio ambiente e outras agendas.
O que, em princípio, tem relevância por trazer ao debate questões importantes para a evolução de nossa sociedade, pela forma com que tem sido conduzido por alguns personagens, de forma um tanto quanto radical, levou a que o movimento perdesse a sua credibilidade e passasse a ser criticado.
As críticas passam pela imposição de agendas que carecem de uma melhor e menos duvidosa fundamentação epistemológica das ciências sociais, por conta também da política do cancelamento daqueles que não se enquadram nessa forma de pensar, a polarização ao se criar a retórica de “nós contra eles”, o ataque à liberdade de expressão e, ainda, por ignorarem aspectos importantes da natureza humana e se apartarem e ignorarem a realidade em que se encontram.
Ao buscar o entendimento deste fenômeno vê-se a existência de alguns atores que inflam o movimento por, de alguma forma, se beneficiarem dele, mas também vemos uma grande quantidade de pessoas que embarcam na onda e porque?
José Ortega e Gasset foi um filósofo, ensaísta e intelectual que viveu no século passado que escreveu o Livro a “Rebelião das Massas”. No livro ele trata do perigo representado por pessoas despreparadas intelectualmente em uma democracia, criando o conceito do homem massa. A visão dele é um tanto elitista ao questionar a participação de alguns (os despreparados) nos destinos da sociedade. Porém, a caracterização que faz do homem massa nos revela alguns traços comuns com alguns dos agentes woke.
A saber: o conformismo e a passividade que leva a pessoa a apenas seguir tendências sem as questioná-las; a rejeição da cultura e excelência, que faz com que os indivíduos ignorem a busca da excelência, do conhecimento profundo e do esforço intelectual, contentando-se com superficialidade; a soberba que faz com que, mesmo com conhecimento limitado, a pessoa se sinta dona da verdade, negando o conhecimento e experiência de outros; a perda do senso de responsabilidade, pois, desfrutam de toda evolução e da estrutura social existente sem assumir a responsabilidade de mantê-la; e por último o antagonismo à tradição e autoridade rejeitando as tradições, a religião, a moral e a cultura estabelecida, para eles o presente é o ponto mais alto da história, nada mais importa.
Gasset ao escrever “História como Sistema” fala da "razão vital”, o conceito central do seu pensamento, que se opõe à razão pura que domina os variados estudos filosóficos existentes. A razão vital diz que a realidade concreta e as circunstâncias da vida devem sim conduzir a forma de se pensar. Em certa monta, os intelectuais do movimento, ao ignorarem as culturas estabelecidas, a história de nossa evolução e a própria natureza humana trazem à baila ideias que irão se defrontar com a realidade existente estabelecendo pontos de atrito e os consequentes conflitos.
Infelizmente as consequências aí estão e agora só nos resta fazer com que a sociedade se certifique, diante de toda desinformação, do que realmente é fato e o que é narrativa, quem está com a razão?
*Um cidadão brasileiro
General Diniz
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