O Instituto do Homem e Meio Ambiente da Amazônia (IMAZON) registrou um gigantesco desmatamento no primeiro trimestre de 2023, a área perdida da mata nativa corresponde a quase mil campos de futebol por dia. Foram 867 km2, os números registrados indicam que em 2023 tivemos a segunda maior perda de floresta desde a implantação do sistema de monitoramento em 2008. O recorde de destruição trimestral aconteceu em 2021 com a derrubada de 1.185 km² de floresta nativa.
Considerando apenas no mês de março de 2023 foi desmatado um território de 344 km2 na Amazônia Legal. Se compararmos com o mesmo período do ano passado, esse valor representa um aumento de 180% no desflorestamento uma vez que o espaço perdido em março de 2022 foi de 123 km2.
Dentre os nove Estados que compõe a Amazônia Legal, oito apresentaram aumento no desmatamento em março de 2023, a única exceção foi o Estado do Amapá. O Estado que apresentou maiores taxas foi o Amazonas com uma devastação que cresceu de 12 km2 em março de 2022 para 104 km2 em março de 2023, o equivalente a um aumento de nove vezes. O Estado concentrou 30% de toda a devastação da área. Os municípios próximos aos Estados do Acre e de Rondônia apresentam os números mais críticos, porém, as fronteiras com os Estados do Pará e do Mato Grosso também estão sendo bastante afetadas.
Configura motivo para preocupação que áreas de proteção ambiental como o Triunfo do Xingu e Tapajós figurem entre as regiões desmatadas tendo perdido áreas de floresta equivalentes a 500 e a 300 campos de futebol, respectivamente, no mês de março.
A floresta amazônica continua, portanto, a ser desmatada. Podemos considerar que seu desflorestamento seja um ato contínuo desde a chegada de habitantes não indígenas na região, este fato remonta ao período das entradas e das bandeiras em uma época na qual desconhecíamos a necessidade de preservar, consciência que foi adquirida nos anos 1970.
Dentre todas as considerações feitas nesta coluna, fica uma indagação: por que a perda da floresta incomoda apenas em determinados períodos? Por que as vozes internacionais que se avocam o direito de defender nossa natureza estão caladas?