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Quarta-feira, 22 de Abril 2026

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O que fazemos com nossos jovens?

As estatísticas mostram que a cada ano matamos 65 mil jovens

O que fazemos com nossos jovens?
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As estatísticas mostram que a cada ano matamos 65 mil jovens. Na maioria pardos e negros e do sexo masculino. Agora um levantamento do Instituto “Eu Sou da Paz” apurou que 66% dos internos da Fundação Casa são reincidentes. 25% deles dizem que sofreram maus tratos dentro da Instituição.

A explicação é a de sempre. Frutos de toscas formatações familiares, a violência começou dentro de casa. Repetiram isso em pequenos furtos, depois em roubos, com envolvimento no uso e, em muitos casos, no tráfico de drogas. A minoria – menos de 10% - é acusada de estupro e homicídio.

Para compensar, a Unicef proclama: de cada 10 jovens de até 17 anos no Brasil, 6 são considerados pobres. Não é apenas o déficit na renda, mas a privação de seis garantias básicas ligadas à educação, informação, trabalho infantil, acesso a água, saneamento ou moradia. Dentre os 53,7 milhões de brasileiros até 17 anos, 32,76 milhões – 61% - estão nessa condição. A deficiência monetária não é a única dimensão da pobreza. A miséria, no Brasil, tem muitas faces.

Algo de muito ruim corrói a sociedade brasileira. Matamos boa parte do nosso futuro e deixamos que outra apodreça. Não há saída?

Há, muito embora ela não seja fácil.

Aquele que recebe atenção e carinho, só se tiver uma patologia insuperável deixará de responder de forma análoga. O que acontece é que o Brasil conseguiu reduzir o número dos beneficiados com os bens de consumo que a mídia espontânea aponta como essenciais à vida digna e multiplicou os excluídos.

Excluídos do mercado, excluídos do trabalho, excluídos da educação, da saúde, do saneamento básico, da moradia. Enfim, não contam com o mínimo existencial presente no discurso e ausente na prática. São, principalmente, excluídos do respeito, da consideração, do carinho e do amor.

Não se espere que governo resolva isso. O “timing” do governo é a próxima eleição. O horizonte político é curto e cego. É a sociedade quem deve assumir as rédeas. O fato de havê-las abandonado fez o Brasil chegar a esse poço escuro, cuja profundidade surpreende, porque nunca alcança seu final. A cada dia uma desgraça maior é noticiada. A cada momento um motivo para que os mais otimistas se recolham e os profetas do apocalipse apregoem o velho discurso: “Eu não avisei?”.

A educação é a alternativa. Mas uma educação amorosa. Uma educação que faça da escola um espaço acolhedor. Lugar em que o esporte deve ser estimulado, assim como as artes, os games, tudo aquilo de que as crianças e jovens gostam. Quem deve assumir a missão de oferecer a todas as crianças e adolescentes essa escola sedutora, atraente, divertida e acolhedora é cada um de nós. Para o governo, a educação é retórica. Está no discurso, mas não no coração do político.

Ou o Brasil acorda para salvar seu futuro ou estará a cada dia mais imerso no caos, na desesperança, na absoluta falta de confiança em tudo e em todos. Não se espere que o governante se converta. República de 40 partidos lembra mais aquela estória do Ali-Babá. E não existe a menor possibilidade de reforma para acabar com as mazelas de que todos eles se beneficiam. A única mudança possível deverá vir do povo. Este ainda é, formalmente, o titular da soberania. Por que não assumir esse postulado e do discurso fazer verdade?

José Renato Nalini

* Reitor da Uniregistral, docente universitário, palestrante e conferencista    

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