A humanidade, nas diversas formas de relações sociais, vive um tempo de acirradas disputas por aquilo que chamamos de poder.
Enquanto um elemento social que acompanha a humanidade desde os seus primórdios, a fascinação pelo tema instigou o ser humano a formatar teorias filosóficas, antropológicas e sociológicas na tentativa de desvendar a essência do tema.
O termo poder se originou a partir do latim possum, que significa “ser capaz de” e, como dito, é uma palavra que pode ser aplicada em diversas definições, conceitos, formas e áreas, tais como: pelo poder econômico, social, espiritual, militar, político, etc. Enfim, a palavra denota a capacidade presente de fazer, o direito, arbítrio de mandar ou autoridade.
Ocorre que, não raro, o direito de exercer o “tal” poder seduz aquele que o possui e acaba por distorcer sua capacidade de pensar e agir, porque esse deslumbre faz com que o “poderoso”, intimamente, se coloque num pedestal e olhe de cima para baixo todos aqueles que dele dependem. Se esquece, porém, que a fortuna ou a autoridade são bens que se detêm provisoriamente, por delegação, na marcha comum e que, nos fundamentos substanciais da vida, não nos pertencem realmente.
É fato, vivemos momentos difíceis em termos de evolução moral no e do planeta. Aparentemente o ser humano escolheu evoluir pela dor, contudo, tem toda condição de reverter essa situação. Para tanto, basta que ousamos e pratiquemos as recomendações do Mestre da Galiléia que de tão singelas e simples parecem ser irrelevantes.
Por isso, na minha opinião, é que em qualquer situação devemos ponderar sobre a finitude da vida corpórea e que com o perecimento da matéria perdermos toda e qualquer autoridade sobre os bens, cargos e direitos, etc. que amealhamos.
Quando fazemos essa reflexão, perceberemos que o poder terrestre, de fato e em qualquer situação, nos é permitido apenas temporariamente. Em verdade, não somos mandatários de nada; recebemos, tão somente, uma delegação e somos meros depositários de algo.
Nesse contexto, se a ordem social colocou outras pessoas sob a sua dependência, exerça seu poder de forma produtiva, eficiência e respeitosa, tornando-se uma referência perante os demais por sua autoridade moral. Para tanto, simplesmente trate as pessoas com bondade e benevolência, porque são seus iguais perante Deus; usa de sua autoridade para lhes erguer o moral e não para os esmagar com o seu orgulho; evita tudo o que poderia tornar a sua posição subalterna mais penosa.
Ou seja, em qualquer situação do cotidiano, mas, sobretudo, quando formos desafiados a exercitar alguma autoridade, lembremos que o maior líder é aquele que mais serve e que Jesus nos ensinou que amar à Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a si mesmo, resume toda Lei e os profetas.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca