Perplexo com o momento social que estamos vivenciando, que tem trazido intranquilidade para a nossa sociedade, e com sentimento de, digamos, incapacidade para decidir sobre adotar essa ou aquela postura, me lembrei de um artigo publicado na revista “O Consolador”- https://gecasadocaminhosv.blogspot.com -, com o título, “O Poder e Sua Força Corruptora”, o qual compartilho por entender oportuna e necessária a reflexão acerca da sua temática.
Porque os homens, aparentemente, se esquecem que Transit Gloria Mundi, ou seja, que a glória do mundo é transitória, o artigo enfoca questões inerentes ao chamado poder e suas consequências em razão de impulsos automatizados no egoísmo em detrimento à fraternidade universal.
Diz o artigo que a tese de que o poder corrompe, frase atribuída ao historiador inglês John Emerich Edward Dalber, também conhecido como Lorde Acton, “... é interessante, mas, examinada à luz da doutrina da reencarnação, apresenta facetas que provavelmente escapem ao observador comum”.
A partir dessa afirmação, pondera que “poder, riqueza, projeção social compõem a lista das chamadas provas a que o ser humano se submete em suas múltiplas existências corporais. A Terra é um mundo modesto e atrasado e, como tal, classificado pelo Espiritismo na categoria geral de planeta de provas e expiações.
Provas, como o próprio vocábulo indica, são testes, em tudo semelhantes aos testes que a criança e o jovem têm de enfrentar em sua passagem pelos bancos escolares, da pré-escola à faculdade. Como ninguém ignora, só ascende ao Ensino Médio quem enfrentou o Fundamental e neste foi aprovado.
Constituindo uma das provas mais difíceis que se apresentam à criatura humana em sua romagem terrena, o poder pode efetivamente fascinar e levar à queda todos aqueles que não dispõem da qualificação necessária para vencê-lo. Dá-se o mesmo com relação a todas as provas. A riqueza, por exemplo, é, dentre elas, uma das mais difíceis, como o próprio Cristo advertiu ao afirmar que é mais fácil um camelo passar pelo fundo de uma agulha que um rico entrar no reino dos céus.
Numa interessante mensagem que o leitor pode conferir no cap. II, segunda parte, do livro O Céu e o Inferno, de Allan Kardec, aquela que se chamou na Terra condessa Paula, desencarnada aos 36 anos de idade em 1851, declarou o seguinte:
‘Em várias existências passei por provas de trabalho e miséria que voluntariamente havia escolhido para fortalecer e depurar o meu Espírito; dessas provas tive a dita de triunfar, vindo a faltar, no entanto uma, porventura de todas a mais perigosa: a da fortuna e bem-estar materiais, um bem-estar sem sombras de desgosto. Nessa consistia o perigo. E antes de o tentar, eu quis sentir-me assaz forte para não sucumbir. Deus, tendo em vista as minhas boas intenções, concedeu-me a graça do seu auxílio. Muitos Espíritos hão que, seduzidos por aparências, pressurosos escolhem essas provas, mas, fracos para afrontar-lhes os perigos, deixam que as seduções do mundo triunfem da sua inexperiência.’
Após a revelação contida na mensagem, a ex-condessa Paula acrescentou:
‘Como eu, também vós tereis a vossa prova da riqueza, mas não vos apresseis em pedi-la muito cedo. E vós outros, ricos, tende sempre em mente que a verdadeira fortuna, a fortuna imorredoura, não existe na Terra; procurai antes saber o preço pelo qual podeis alcançar os benefícios do Todo-Poderoso.’
Do que acima expusemos, tornam-se claras duas coisas:
1ª- O poder corrompe, sim, mas apenas corrompe as criaturas imaturas que se seduzem com as benesses do cargo e se esquecem de que a vida é curta e que ninguém se encontra na Terra a passeio.
2ª - O conhecimento da doutrina da reencarnação e das leis divinas que regem a nossa vida faria um bem imenso aos nossos políticos e governantes, que então saberiam que a cada ação corresponde uma reação de igual intensidade e sentido contrário, ou seja, para valer-nos de conhecida frase de Jesus: ‘Quem matar com a espada morrerá sob a espada’.”.
Nesse contexto, de um lado, se não devemos desprezar os bens e riquezas da matéria; de outro modo, devemos ter consciência de que tais valores não podem se sobrepor às coisas do espírito, sob pena de, como alertava Sêneca, uma grande riqueza tornar-se uma grande escravidão.
Na realidade, o homem somente é detentor daquilo que pode levar deste mundo, que são os valores de ordem intelectual e moral, quais sejam: o saber e a virtude. De resto, tudo é ilusão!
Mas, quando inexiste consciência disso, o poder submete as pessoas aos vícios e faz nascer as paixões que levam – de todas as formas - à corrupção e, como consequência, as afastam da perfeição espiritual – moral e ética -, distanciando-as dos divinos ensinamentos tão bem exemplificados por Jesus.
Por isso, é preciso que cada qual faça a sua parte para que as glórias do mundo, que são passageiras, não afastem o ser humano de Deus, lembrando sempre que o verdadeiro poder é o do amor fraternal que une as pessoas e faz homens fortes, dignos e íntegros em qualquer função ou situação.
Como diria Gandhi, que sejamos aquilo que desejamos ver!
Paulo Eduardo de Barros Fonseca