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Quinta-feira, 23 de Abril 2026

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O jogo de guerra eleitoral

Colunista Otávio Santana Rêgo Barros

O jogo de guerra eleitoral
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Em artigo intitulado Romper o Ferrolho (Estado de São Paulo, 27/1/22), o jornalista e cientista político William Waack estabelece um paralelismo entre a atual situação político-eleitoral de nosso país e a forma de manobra militar chamada duplo envolvimento.

Waack, apreciador da arte da guerra, argumenta que o ex-presidente, líder das pesquisas eleitorais, e o atual mandatário desejam inviabilizar quaisquer concorrentes da chamada terceira via, para se enfrentarem em um segundo turno dos intransigentes.

O candidato que se destaca em seguida na disputa por votos sofre ataques simultâneos da esquerda e da direita, contornado em um "movimento de pinça", que o impede de ganhar musculatura na campanha. Com a terceira via detida no terreno, experientes analistas defendem que apenas uma situação inusitada romperia a frente de batalha na Verdun eleitoral brasileira.

Feitas essas considerações e inspirado no vocabulário militar usado no artigo, analisarei, em um teatro de operações fictício, as forças dos contendores, as possibilidades dos oponentes e as manobras possíveis como se fosse um jogo da guerra eleitoral, sob o ponto de vista da terceira via.

Os Vermelhos serão a facção liderada pelo ex-presidente; os Amarelos, a capitaneada pelo atual; e os Azuis, uma federação com os outros pretendentes ao cargo de chefe de governo.

Na análise sobre os Vermelhos, o flanco esquerdo tem maior poder de combate, impulsão e se mostra apto a alcançar o objetivo estratégico de vencer as eleições de outubro em primeiro turno.

Quanto aos Amarelos, o flanco direito tem poder de combate elevado, mas não confiável, esbarra na possibilidade de deserções, além de contar com menor apoio da população.

Para os Azuis, é crucial a adesão a um pacto que una os demais pretendentes com condições técnicas e políticas para governar o país ou, então, aceitar o papel de figurante. Logo, é preciso decisão e foco.

Na primeira fase, essa força-tarefa deve executar uma ação retardadora (trocar espaço por tempo) na zona de ação dos Vermelhos e impedir que o oponente alcance o objetivo estratégico decisivo. Simultaneamente, concentrar suas melhores tropas e atacar a zona de ação dos Amarelos, fazendo-os perder a impulsão e recuar.

Na segunda fase, fixar os Amarelos e infletir para atacar o flanco desguarnecido dos Vermelhos, que estarão engajados ante o retardamento dos Azuis, forçando-os a defender-se em duas frentes.

O ataque principal dos Azuis será liderado por quem estiver mais próximo e em contato com os oponentes. Caso essa tropa perca a velocidade, será substituída em posição por outro agrupamento desdobrado na segunda linha, mantendo o ritmo.

Algumas considerações sobre os fatores preponderantes do conceito de manobra dos Azuis: — não há poder de combate para atuar em toda frente e ao mesmo tempo contra os Vermelhos e Amarelos; — os Vermelhos podem conquistar o objetivo principal ainda na primeira fase da manobra; — os Amarelos são mais vulneráveis a defecções; — os Amarelos, derrotados na primeira fase, podem reforçar os Azuis; — persiste um sentimento antivermelho capaz de energizar o "todos contra eles"; — cresce um sentimento antiamarelo; — e o tempo é a variável determinante.
O general chinês Sun Tzu afirmou: "Se quisermos combater [...], o que temos a fazer é atacar um ponto diferente (inesperado), que o oponente seja obrigado a defender". Com o tempo sendo crucial, os Azuis precisarão encontrar o centro de gravidade (debilidade dos opositores) transformando-o na novidade sugerida por estudiosos.

Jogo encerrado. Voltemos ao mundo não fictício. Aquele da covid, do desemprego, da inflação, dos famélicos, do escárnio à serenidade, das aleivosias, no qual a sobrevivência da população é desafio diário do pai ou mãe de família.

A sociedade precisa sair da trincheira insalubre, onde respira o gás letal — uma arma usada para asfixiar os combatentes na 1ª Guerra Mundial — representado pela falta de ética e moral espargido por algumas más autoridades que controlam o cenário nacional.

Ou romperá o dilema da polarização, ou viverá o conflito fratricida. Por acomodação, não pague para ver cartas escondidas e fraudadas, a surpresa será dolorida e a perda inestimável.

"É na ação, e não no descanso, que os homens encontram o prazer" (John Adams). Se desejarem avaliar outro cenário, mudem as cartas do jogo, o resultado só depende de você. Paz e bem!

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