Recentemente fui indagado por um leitor sobre o contexto da crônica “Voto - ação Consciente e Ética”. Perguntou-me o amigo se eu estava utilizando o espaço no jornal para falar de política?
Prontamente respondi que não!
Porém, procurei esclarecê-lo que não poderia deixar passar uma excelente oportunidade para discorrer sobre minha ideia de como as pessoas, no exercício da cidadania, devem se posicionar frente às questões do dia a dia, notadamente quando a atitude de cada um pode ajudar no aprimoramento da conjuntura em que vivemos.
Acrescentei, ainda, que a crônica não tem qualquer conteúdo político partidário, muito pelo contrário, embora procure alertar acerca da necessidade da ação consciente do indivíduo, em especial daquelas que podem interferir no coletivo e, desse modo, influenciam no processo de transformação e evolução da sociedade.
É preciso que tenhamos sempre em mente que, desde a antiguidade, os filófosos já afirmavam que toda pessoa é um ser político e, como tal, tem suas responsabilidades individuais e coletivas.
Ora, Rui Barbosa já disse que “política e politicalha não se confundem, não se parecem, não se relacionam uma com a outra. Antes se negam, se repulsam mutuamente. A política é a higiene dos países moralmente sadios. A politicalha, a malária dos povos de moralidade estragada.”
Lembrei-o, ainda, da assertiva do pastor Martin Luther King no sentido de que "não há nada mais trágico neste mundo do que saber o que é certo e não fazê-lo. Não posso ficar no meio de todas essas maldades sem tomar uma atitude."
Minha convicção pessoal é no sentido de que todos devem fazer a sua parte no aprimoramento da sociedade, procurando aumentar a plêiade de pessoas esclarecidas e justas que no seu convívio diário, com paciência e tolerância, procuram colocar em prática o Evangelho do Cristo.
Se buscamos um mundo melhor urge que façamos a nossa parte, mesmo porque "A força das coisas possibilita a mudança, mas não construirá uma sociedade mais justa, mais livre, mais feliz, sem que cada família, cada grupo, cada cidade, cada nação elabore seu projeto, organize sua ação para chegar a essa sociedade melhor."
José Herculano Pires, que foi jornalista, filósofo, educador e um grande divulgador do espiritismo, já salientou que "o chamado de uma nova ordem social está clamando no coração do mundo. E o mundo não pode deixar de atendê-lo, porque é um imperativo do progresso terreno, uma lei maior do que as leis transitórias dos homens, é a expressão da própria vontade de Deus."
Mais ainda, com exatidão afirmou que “a renovação do homem implica a renovação social, mas desde que o homem renovado se empenhe na transformação do meio que vive, sendo esta, aliás, a sua indeclinável obrigação.” . Mesmo porque, no seu entender, “melhorar apenas o homem numa estrutura imoral equivaleria a melhorar a estrutura com um homem imoral” e “transformar o mundo pela transformação do homem e transformar o homem pela transformação do mundo, eis a dialética do Reino.”
Daí a importância de mostrarmos, por meio de atos e atitudes, nossa crença em Deus, não só repetindo versículos, preces e contemplando o mundo, mas, sobretudo, colocando em prática os ensinamentos do Cristo que estão muito longe de serem apáticos.
“A aspiração do homem por uma ordem de coisas melhor que a atual é um indício certo da possibilidade de que chegará a ela. Cabe, pois, aos homens amantes do progresso, ativar este movimento pelo estudo e a prática dos meios que julgam mais eficazes.”, notadamente porque “o resultado de todos os progressos individuais é o progresso geral.”
É assim que, o progresso material e espiritual depende da ação, do exemplo, daqueles que estudam, trazem dentro de si e praticam o Evangelho com a consciência de que “alterar essa estrutura social que fomenta o egoísmo em todos os grupos sociais é providência urgente.”
Pensador
Os Grandes Líderes – Nova Cultural
Perguntas nº 860 e 1019 de “O Livro dos Espíritos”
O Reino. São Paulo: Editora Edicel, p.137
Espiritismo Dialético – O Indivíduo e o Meio. Edições A Fagulha - MUE
O Reino – Cap. VIII – Edicel- 1ª edição
Alan Kardec, Obras Póstumas – 2ª parte/Liberdade, Igualdade e Fraternidade/Credo Espírita
Pergunta nº 573 de O Livro dos Espíritos
Paulo Eduardo de Barros Fonseca