Depois de algum tempo, esta semana fui até o Centro da cidade. Ao desembarcar na Praça da Sé me deparei com um quadro de horror que em nada pode lembrar aquilo que deveria ser o centro de uma cidade como São Paulo, a nossa maior e mais pujante cidade. Não admirei nossa Catedral, não vi o marco zero e nem a estátua do apóstolo que dá nome à cidade, acelerei o passo e com a atenção redobrada deixei aquele local.
A Cracolândia foi dispersada e hoje os usuários de drogas estão acampados no centro de nossa capital e em outros logradouros. Deitados no chão, dormindo em barracas, higiene por fazer, roupas desgrenhadas, um quadro estarrecedor e que causa apreensão em quem tem que transitar por ali.
Uma situação que perdura por anos e que bem mostra a falta de pulso e de coragem dos dirigentes, sempre que são colocados à frente de problemas em que medidas não muito simpáticas devem ser adotadas. Para não se incomodar, não se comprometer, não perder votos e para se afastar do rótulo de autoritários deixam de fazer o que deveriam, mesmo que com isto venham a prejudicar o cidadão comum, o cidadão que paga impostos, o cidadão que segue a lei e que, agora, tem o seu caminho barrado por doentes e desajustados que ocupam o espaço público para consumir drogas.
Essa postura adotada pelos governantes traduz muito do que tem sido a vida nacional nos últimos anos, em que o bem estar coletivo é colocado abaixo dos direitos individuais do cidadão, mesmo que este cidadão esteja se comportando de maneira inadequada por alguma razão. Como doentes que são essas pessoas não deveriam estar ali, em condições deploráveis e desumanas. Deveriam sim, com todo respeito que deve ser dado a um ser humano, estar sendo tratadas do seu mal em Instituições especializadas.
“Mas as internações só devem ser voluntárias”, “As internações involuntárias não trazem resultados” e essa discussão arrasta-se por anos, enquanto isso, o morador da cidade e o visitante que quer conhece-la são desencorajados a frequentar esse espaço que deveria ser público.
Pergunto: e eu, e nós, como ficamos?
* Um cidadão paulistano
General Eduardo Diniz