Há uma antiga e sábia frase que diz: “A Educação é cara, mas custa menos que a ignorância”. Parece lugar-comum dizer que a falta de acesso à educação tem como consequência uma série de prejuízos individuais e coletivos, mas a pesquisa “Consequências da Violação do Direito à Educação”, realizada pelo Insper em parceria com a Fundação Roberto Marinho e a Oppen Social, divulgada no último dia 14, coloca em valores reais essas perdas.
Segundo os pesquisadores, cada pessoa que abandona os estudos antes de completar o Ensino Médio deixa de ganhar R$ 372 mil ao longo da vida. O estudo analisou as consequências da evasão escolar sobre aspectos como emprego e salário, atividade econômica, saúde e violência. Desse total, R$ 159 mil corresponde apenas à diferença salarial entre quem completou ou não o Ensino Médio.
A diferença da quantidade de anos nos bancos escolares é refletida também em outras áreas, como a qualidade de vida, acesso à saúde, e até a possibilidade de sofrer mais com a violência. Estima-se que pessoas que concluíram o Ensino Médio vivem, em média, 4,4 anos a mais e que o combate à evasão escolar poderia evitar cerca de 550 assassinatos por ano no Brasil.
Na última PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios), o IBGE calculou que, em 2020, cerca de 575 mil jovens em idade escolar não estarão matriculados. Ou seja, teremos um total de R$ 214 bilhões que essas pessoas deixarão de ganhar ao longo da vida. A pesquisa estima que o acréscimo de um ano de escolaridade para toda a população elevaria o PIB per capita em cerca de 10%. Isto significa que cada uma dessas pessoas injetaria cerca de R$ 54 mil a mais na economia do país se concluíssem seus estudos.
Dos quase 50 milhões de jovens entre 14 e 29 anos no Brasil, 20% não completaram alguma etapa da educação básica, um total de 10,1 milhões. Os principais motivos apontados são a necessidade de trabalhar, desinteresse pelos estudos e gravidez. Esses dados da PNAD mostram o tamanho do problema, mas também apontam um norte para a criação de políticas públicas que ataquem as causas da evasão escolar.
As medidas são urgentes. Estamos entrando na chamada 4ª Revolução Industrial, uma era em que atividades manuais serão cada vez mais realizadas por máquinas e a qualificação ainda mais importante para acesso ao mercado de trabalho. Precisamos de mais ações e recursos direcionados para a prevenção da evasão escolar e melhoria da qualidade da Educação, pois não serão um custo e sim um importante investimento no nosso futuro.
* Vereadora da cidade de São Paulo e presidente da Associação das Vereadoras do Estado de São Paulo. E-mail: adrianaramalho@adrianaramalho.com.br
Adriana Ramalho