Na manhã de terça-feira, dia 18 de agosto, o diretor do jornal Semanário da Zona Norte, João Carlos Dias, recebeu a visita do artista plástico Gabriel Menezes Mena.
Na oportunidade, o profissional abordou vários temas tais como: sua trajetória profissional, os desafios enfrentados ao longo da carreira, o papel da arte na sociedade e sua experiência fora do Brasil.
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Gabriel Menezes, mais conhecido como Mena, nasceu e reside no bairro de Santana, na Zona Norte de São Paulo. Formado em Arquitetura e Urbanismo pelo Centro Universitário Belas Artes de São Paulo, o artista plástico, grafiteiro, arquiteto e urbanista, apaixonado por arte, se aperfeiçoou e levou para o Mundo um pouco de sua técnica brasileira. Montou seu escritório de arquitetura “Escala 011”, onde despertou seu talento.
Após aprimorar o seu dom, levou para o Mundo suas técnicas brasileiras. Deixou suas obras espalhadas pela Europa, tanto em telas como nos muros das cidades em que passou. Teve também a oportunidade de fazer uma exposição no Museu do Louvre situado na França.
O diretor João Carlos Dias falou da satisfação em receber a visita do artista na sede do jornal.
“Foi com muita honra que recebi na sede do jornal o artista plástico Gabriel Menezes Mena, filho de um grande amigo, Antonio Augusto que com sua esposa, têm feito um trabalho maravilhoso em prol da Zona Norte de São Paulo. Sempre ajudando em eventos beneficentes e também a população mais carente. Há 10 anos, tivemos a felicidade de ver este jovem Gabriel Menezes Mena, entrar para o Centro de Preparação de Oficiais da Reserva de São Paulo (CPOR/SP). Para nossa surpresa, Mena veio nos visitar como um artista renomado e conhecido mundialmente. Suas obras estão expostas em vários países, como, o Museu do Louvre na França e no Muro de Berlim. Ele é um grande profissional, morador da Zona Norte e filho da nossa terra. Isso é importantíssimo para valorizarmos a cultura do nosso país. Mena tem o dom de transmitir nas suas obras aquilo que ele visualiza como o mais positivo e espiritual. A gente tem visto algumas de suas obras que retratam a realidade. É um orgulho para os pais e para a Zona Norte em saber que uma pessoa tão especial vive ao nosso redor. O nosso recado aos nossos empresários é para que conheçam e ajudem o trabalho do Mena. É um jovem promissor que tem tudo para crescer e valorizar a cultura brasileira. É uma satisfação ter um jovem como o Mena residindo aqui na região. Isso mostra que temos grandes escolhas e pessoas. Mena, tenha certeza que você terá um futuro brilhante. Espero que o jornal Semanário da Zona Norte consiga auxiliá-lo cada vez mais”.
Acompanhe na íntegra a entrevista do artista plástico.
JSZN: Fale um pouco sobre sua trajetória profissional?
Mena: Sou aspirante a oficial da Arma de Engenharia, arquiteto formado pela Universidade Belas Artes, artista plástico e moralista. Além de fazer intervenções artísticas principalmente na Zona Norte de São Paulo, aprendi que a mudança precisa começar de dentro para ela exteriorizar. Então, primeiramente transformo o meu entorno, em seguida vou expandindo até, se Deus quiser, chegar no Mundo. Já pintei em dez países diferentes, participei de duas exposições no exterior e fiz três exposições individuais nesses quatro anos na arte. E hoje encontrei na arte meu propósito de vida. Minha grande inspiração é o Mestre Jesus porque ele é o Mestre de todos que veio nos ensinar e através da arte levo essa consciência para as pessoas.
JSZN: Você se inspirou em alguém da família?
Mena: Sou o único militar, arquiteto e artista da família.
JSZN: Quando você decidiu viver da arte?
Mena: Tenho muitas inspirações. A primeira vez que eu senti a arte foi através do quadro que inspirou Van Gogh a pintar ‘A Noite Estrelada’. Outros artistas que me inspiram muito foram o Cobra e Os Gêmeos. Eles são brasileiros que representam o Brasil lá fora. São grandes inspirações, principalmente o Cobra que é um profissional que tem enormes projetos transformadores. Ele é a grande inspiração em saber que a arte não tem limites. Encontrei minha missão de vida através da arte. A arte é meu veículo de comunicação e propagação. Meu objetivo é transformar ambientes, melhorar o dia e a vida das pessoas. Tenho a crença que podemos viver em um Mundo melhor, mais colorido, no qual o bem e o amor prevalecem. Essa é minha forma de despertar esse sentimento, a consciência.
JSZN: Quais foram os desafios que enfrentou nesse período?
Mena: As dificuldades começaram desde o primeiro dia em que comprei a primeira lata de tinta spray. Perguntei ao vendedor como utilizava e ele respondeu que se eu não soubesse como usar um spray eu não deveria estar lá para comprar um. Eu acabei comprando todos os tipos de tinta que ele vendia. Apesar das dificuldades, grandes pessoas fazem e fizeram parte da minha caminhada.
JSZN: Você acredita que a arte é uma forma de expressar os sentimentos e pensamentos das pessoas?
Mena: Um artista exterioriza aquilo que ele tem dentro de si, ou seja, é a realidade que ele enxerga na sociedade. Tudo que eu faço, tento expressar a melhor mensagem possível para as pessoas.
JSZN: O seu trabalho é conhecido mundialmente. Conte um pouco sobre sua experiência profissional no exterior, em especial no Museu do Louvre, na França.
Mena: Eu já tinha ido ao Museu do Louvre com a minha família. E voltar lá pela segunda vez expondo uma obra de arte minha foi um sonho que eu nem sabia que tinha. Foi incrível, com certeza uma realização de um sonho que acredito que muitos artistas carregam. No Museu do Louvre estão reunidos os maiores ícones do mundo. A maioria já são falecidos, e eu, vivo e jovem, estive lá. Para mim foi uma realização muito grande.
JSZN: Você pintou quatro salas de parto no Centro Integrado Amaury de Medeiros da Universidade de Pernambuco (CISAM). Como você analisa essa experiência e a oportunidade de compartilhar a mais pura arte?
Mena: Na minha visão e da minha família que sempre me ensinou desde o meu bisavô, a vida tem que ser uma balança. Temos é claro que lutar pelo lado material e pelas conquistas da vida, mas jamais deixar de estender a mão para o próximo. E na arte sinto isso nitidamente, porque é através dela que posso levar a minha mensagem. Está escrito para mim que eu tenho que prestar essa solidariedade. Recebo muitos convites de instituições carentes onde eu posso expressar a arte. Já pintei em algumas escolas públicas, em hospitais como o Centro Integrado Amaury de Medeiros. Eu quero que a minha arte seja genérica e que esteja no muro da comunidade e da periferia, e também de residências luxuosas.
JSZN: Tem alguma história curiosa que você se lembra em relação à sua vida artística?
Mena: Já tive relatos incríveis. Numa exposição, uma senhora de 80 anos chegou até mim e disse que aquele dia ela entendeu a verdadeira razão da existência dela. As crianças também sentem uma grande empatia pelas minhas obras. Já pintei no Muro de Berlim, um grande monumento histórico. O local concentra muitas energias negativas, mas consegui levar suavidade através da arte.
JSZN: Qual ou quais projetos você está trabalhando nesse momento?
Mena: Eu nunca paro. Após 30 dias que estourou a pandemia, estive no Hospital M’Boi Mirim. Fui convidado para pintar um complexo inaugurado para pacientes com coronavírus. No momento resolvi parar as minhas encomendar por dois meses bem como meus trabalhos comerciais para focar em grandes projetos. Por exemplo, um projeto num prédio na Avenida Tiradentes, são mais de dois mil metros quadrados de pintura. Farei também uma intervenção na rua do meu atelier aqui na Zona Norte. É uma rua esquecida na entrada de uma comunidade do Cingapura, vamos revitalizar a rua inteira através da arte. Estou preparando a minha próxima exposição. Já tenho mais de 30 obras prontas e finalizadas para esta exposição.
JSZN: Qual a mensagem você gostaria de deixar para os amantes da arte.
Mena: Nunca duvidem de si e ouçam seu coração. O artista não precisa fazer curso para fazer arte, ele precisa testar. Quanto mais você testar e se dedicar naquilo que você realmente acredita, é impossível dar errado. Tenham força. Existem muitas paredes em nossa frente, precisamos ter força para derrubá-las.
JSZN: Qual a importância das mídias regionais, em especial o jornal Semanário da Zona Norte?
Mena: Hoje o artista plástico tem o privilégio que os profissionais do passado não tiveram que é a comunicação. Os jornais, as revistas e as redes sociais impulsionam qualquer trabalho bem feito e apresentado. Não adianta o artista fazer uma maravilhosa arte se ela ficar dentro de uma gaveta. Com certeza, os meios de comunicação são necessários para as pessoas que precisam falar e serem vistas e ouvidas. Agradeço pela parceria e pelo acolhimento do jornal Semanário da Zona Norte, e acima de tudo, a oportunidade de expor meu trabalho.