Na mitologia grega, Artemis era filha de Zeus, deusa da lua e irmã gêmea de Apolo. Agora, é o nome da espaçonave que voou até 400 mil quilômetros da terra e deu volta ao outro lado na lua, corpo celeste até aqui invisível.
As lições fornecidas pelo chefe da tripulação, o cristão Victor Glover, fornecem imagens da Nasa e depoimentos de amor e fraternidade. estimulando-nos a “amar a Deus com tudo o que você é”. O amor ao próximo. Examinar as lições sobre o que aconteceu no cosmos exuberante, cabe a cada um de nós.
O sucesso da Artemis II aponta para muitas direções. A lua é sempre fonte para inspiração de poetas e canções, também usada para definições desonrosas, como “viver no mundo da lua”, isto é, desconectado da vida real, e “lunático”, sugerindo desiquilíbrio mental. Sem contar aquele que, se você indicar a lua, prefere ficar olhando para a ponta do seu dedo.
A lua possui crateras, porque sua gravidade é diferente, funcionando como blindagem para neutralizar vários objetos que poderiam colidir contra a terra. Victor Gover disse, contemplando nosso ponto minúsculo do universo, que é onde estamos, que o planeta se parece com uma nave espacial. Somos navegantes no espaço e ainda temos muitos mistérios a descobrir e aprender, entre eles viver sem conflitos. Exatamente ao contrário do que acontecia por aqui enquanto a Artemis II voava: guerra, conflitos, bombas, mísseis, morticínio, genocídios, explosões, destruições. Mortes, fracassos humanos. Nos espaços urbanizados, assassinatos, agressões, latrocínios, mutilações, desrespeito, ódio e desigualdades vergonhosas. A lua está cheia de crateras e nós de buracos. Ela é bela, sua face oculta exibe tons azulados, mostrando que o Criador, grande arquiteto do universo e pintor de fantástica policromia, nos oferece com a natureza, que nós fazemos de tudo para destruir em vez de cuidar.
As crateras são buracos terrestres, desumanizados e corruptos. Disputa-se como feras sem escrúpulos a conquista de espaços sociais. Não precisamos viajar 400 mil quilômetros para descobrir o que acontece entre nós. Hienas vorazes trancam-se dentro de cápsulas, como se estivéssemos na caverna real do filósofo grego Platão, onde somente sombras de imagens são projetadas e nunca a realidade do mundo.
É grande, por aqui mesmo, a distância entre terra e lua. Nada agradável aos olhos do Criador. Ainda bem que fazemos a nossa parte.
*Jornalista e escritor
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