Num sábado destes, estive no Jardim Botânico de São Paulo para, numa Feira destinada aos avistadores de Aves, acompanhar o lançamento do livro dos talentosos Roberta e João Paulo, minha sobrinha e seu marido. O livro é resultado de mais de 10 anos de expedições à região do Rio Cristalino no norte do Mato Grosso, apresentando registros fotográficos e muitas informações sobre aquela rica biodiversidade.
Biólogos de formação, são dessas pessoas que, além de conhecimento e competência, exalam entusiasmo e amor por aquilo que fazem. Creio não haja nada mais empolgante que testemunhar a existência de pessoas que receberam o dom da vida e retribuem com uma existência plena e de grandes realizações. Este é o tipo de coisa que me faz feliz.
Mas, nem tudo são flores. Naquele espaço, em que consegui viver momentos de extrema felicidade, até por estar acompanhado da minha filha, do meu genro e dos meus queridos netos, iria observar algo não muito agradável e até repugnante para alguém que conhece um pouco da história da humanidade, preza por certos valores e pelo futuro do nosso Brasil.
Em diferentes locais da Feira pude observar pelo menos dois jovens que portavam o icônico boné do Exército de Libertação Popular (ELP) Chinês. O ELP, para aqueles que não sabem, entre 1949 e 1976, sob o governo de Mao Tsé-Tung, estima-se que tenha assassinado entre 50 a 80 milhões de chineses, visando o expurgo dos opositores, naquela que foi conhecida como a grande revolução cultural.
São jovens contestadores, que querem mostrar-se melhores que os ultrapassados mantenedores do sistema e para tal, apoiam os revolucionários, os libertadores, só, talvez, não saibam quem foram eles. Na mesma toada se encontram aqueles muitos outros que usam os bonés do MST.
Os jovens que portam esses bonés são os mesmos que chamam quem se veste de verde e amarelo de fascistas, são os mesmos que apoiam o Hamas e ridicularizam quem possui uma crença ou fé. Se dizem tolerantes e democráticos, mas chamam quem pensa diferente de burguês e admiram as ditaduras existentes. Pregam o amor, mas cultivam o ódio. Nas suas vidas não se pratica a coerência. Não são coerentes por que não pensam, defendem aquilo que foram programados para defender: tudo o que a IDEOLOGIA manda, são seus soldados.
O que preocupa é que não são poucos, pelo contrário. Como chegamos a isso? Foram anos e anos de doutrinação. Além das narrativas impostas que invadiam nossos lares pela telinha nos horários nobres, o perigo maior veio dos locais sagrados que deveriam prezar pela difusão da verdade. Nossas Escolas e Universidades têm sido por muito tempo os grandes difusores dessas ideias que mais que unir e construir, promovem desunião e desconstrução.
A nação brasileira assistiu a tudo impassível, alienada por não estar acostumada a ser o grande agente no jogo democrático e, assim, a revolução cultural aconteceu objetivando a conquista de corações e mentes. Este foi o primeiro passo para agora prosseguirem, visando o expurgo dos opositores, se não assassinando, mas censurando, perseguindo e levando-os ao cativeiro.
Existe solução? Sem dúvida sim. Agora devemos saber que, como demorou-se para reagir, a energia a ser dispendida será maior, os sacrifícios serão grandes e nada acontecerá sem uma mobilização geral das forças do bem. O que não pode ocorrer é continuar-se de braços cruzados ou esperar-se e achar-se que seria normal uma intervenção das Forças Armadas. Como verdadeiros democratas, devemos saber que essa página foi virada no século que passou.
* Um cidadão brasileiro
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