As vezes, por alguma razão (ou mesmo sem nenhuma razão, não importa) a mulher fica danada da vida com seu homem. Pode ser até por alguma coisa que ele “aprontou”! Há uns dez anos, mas de que ela se lembrou só agora. Então, fervendo de raiva, ela quer ir à forra...
O que tenho recomendado às mulheres nas palestras que profiro sobre relacionamento entre os sexos: se quiser mesmo detonar o homem, não insista em bronquear, esbravejar, gritar, berrar, xingar e coisas semelhantes, porque o bicho homem tem “ouvido seletivo”: ele só ouve o que quer. A gritaria vai incomodar mais os vizinhos – e ela própria – do que ele, que, a essa altura, já está em modo silencioso ou colocou o “tapa-ouvidos virtual” e não recebe som algum... Ela que nem pense na velha frase “vou pra casa da mamãe”, porque ele poderá até fazer cara de preocupado, aborrecido, mas, intimamente estará pensando em como aproveitar a “liberdade condicional” que está pintando...
O caminho, portanto, é outro. Bem diferente desse.
A mulher deve agir assim: de manhã, quando ele estiver saindo para o trabalho, com toda tranquilidade e serenidade do mundo e com a voz mais calma já usada (igual àquela que usava quando eram namorados...), ela deve apenas dizer:
– Quando voltar, à noite, quero ter uma conversa com você!
Pronto! Uma bomba de mil megatons acaba de explodir em cima dele! A partir daquele instante, toda a calma se evaporou. Em sua mente giram as indagações mudas: “o que foi que eu fiz?”; “será que ela descobriu?”; “será que contaram alguma coisa para ela?”; “dei alguma bobeada? Onde foi que errei” ...
Dá para se imaginar que dia de cão ele vai passar, escarafunchando a mente à procura de eventuais aprontadas, rememorando cada um de seus passos, atos e palavras nos últimos dias...
Aí, finalmente, chega a hora de voltar para casa e ele não sabe o que fazer: demorar-se o mais que possa – poupando-se do que possa vir a acontecer – ou apressar logo o retorno e enfrentar de peito aberto o pelotão de fuzilamento ...
Chega. Entra porta a dentro arisco, ensimesmado, pronto para o que der e vier...
Então ela o recebe com naturalidade, sorri candidamente e fala que a conversa é sobre um convite para as bodas de prata de um casal amigo...
Mas lavou a alma. A raiva passou. Pelo menos por enquanto!
J.B. Oliviera, e-mail: jboliveira@jbo.com.br