O homem sempre transformou a natureza no intuito de adequá-la às suas necessidades. Esta capacidade do ser humano talvez tenha sido o diferencial que garantiu sua sobrevivência neste planeta, considerando-se seus poucos atributos físicos na competição pela vida. Com sua pele que não protege do frio nem tampouco do calor excessivo, sua prole que é dependente por longo período dos progenitores, sua fragilidade em geral, somente com uma inteligência privilegiada e grande capacidade de adaptação esta espécie pôde sobreviver.
Há 300 mil anos, aproximadamente, hominídeos primitivos aprenderam a controlar o fogo, essa habilidade permitiu o aquecimento em dias mais frios, o afastamento de predadores e a cocção de alimentos. Estudos da antropologia afirmam que a capacidade de cozinha alimentos tenha sido o diferencial que permitiu o avanço cognitivo dos humanos. Se por um lado a administração do fogo trouxe inúmeros benefícios, por outro lado podemos entender que nosso ancestral capaz desta tarefa tenha sido o primeiro ser a poluir o ar.
Considera-se poluente atmosférico qualquer substância presente no ar e que, pela sua concentração, possa torná-lo impróprio, nocivo ou ofensivo à saúde, causando inconveniente ao bem estar público, danos aos materiais, à fauna e à flora ou seja prejudicial à segurança, ao uso e gozo da propriedade e às atividades normais da comunidade. A concentração de poluição atmosférica é medida pela quantidade de substâncias poluentes presentes no ar. A variedade das substâncias que podem ser encontradas na atmosfera é muito grande, o que torna difícil a tarefa de estabelecer uma classificação. Para facilitar esta classificação, os poluentes atmosféricos são divididos em duas categorias, os poluentes primários que são lançados diretamente pelas fontes de emissão e os poluentes secundários que são formados na atmosfera através da reação química entre as diversas substâncias presentes na atmosfera, poluentes ou não, e determinadas condições físicas.
As substâncias poluentes podem ser classificadas, ainda, da seguinte forma: Compostos de Enxofre (SO2, SO3, H2S, Sulfatos,), Compostos de Nitrogênio (NO, NO2O, N2O,NH3, HNO3, Nitratos), Compostos Orgânicos voláteis (hidrocarbonetos, álcoois, aldeídos, cetonas, ácidos orgânicos), Compostos Halogenados (HCI, HF, cloretos, fluoretos), Monóxido de Carbono, Material Particulado, e oxidantes fotoquímicos (Ozônio).
A interação entre as fontes de poluição e a atmosfera vai definir a qualidade do ar, que determina, por sua vez, o surgimento de efeitos adversos da poluição do ar sobre os receptores, que podem ser o homem, os animais, as plantas e os materiais. O monitoramento sistemático da qualidade do ar é restrito a um número de poluentes, definidos em função de sua importância e dos recursos disponíveis para seu monitoramento. O grupo de poluentes que servem como indicadores de qualidade do ar, adotados universalmente e que foram escolhidos em razão da freqüência de ocorrência e de seus efeitos adversos, são: Material Particulado (MP), Dióxido de Enxofre (SO2), Monóxido de Carbono (CO), Oxidantes Fotoquímicos- como o Ozônio (O3), Hidrocarbonetos, Óxidos de Nitrogênio.
Em zonas urbanas, como o Município de São Paulo, a poluição do ar é derivada de duas fontes: as fontes industriais ou fixas e as fontes veiculares ou móveis. Essas fontes liberam, entre outras substâncias não monitoradas, 1,8 milhão de tonelada por ano de Monóxido de Carbono, 415 mil toneladas por ano de Hidrocarbonetos, 409 mil toneladas por ano de Óxidos de Nitrogênio, 67 mil toneladas por ano de Material Particulado, e 37 mil toneladas por ano de Óxidos de Enxofre. Através das medições de poluentes podemos afirmar que, atualmente as fontes que causam maiores danos ao ar atmosférico deste Município são as veiculares.
Gases que existem naturalmente na atmosfera absorvem uma parcela da radiação solar que é refletida pela superfície terrestre, dificultando a saída da radiação para o espaço. Este fenômeno é chamado de Efeito Estufa, é um processo natural que mantém o planeta Terra aquecido, possibilitando que um grande número de espécies sobreviva. O Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) afirma que o aumento da temperatura no planeta está sendo provocado pela ação humana ao longo dos últimos 250 anos.
As questões relativas à poluição atmosférica e aquecimento do planeta são preocupação internacional e por isso em 1997 foi realizada em Kyoto, no Japão, a 3° Conferência das Partes da Convenção das Nações Unidas sobre mudanças climáticas. O tratado assinado nesse evento buscou regular a emissão dos gases de efeito estufa: Dióxido de Carbono (CO2), Metano (CH4), Óxido Nitroso (N2O), Hexafluoreto de Enxofre (SF6) e duas famílias de gases, Hidrofluorcarbono (HFC) e Perfluorcarbono (PFC). Como é possível observar, alguns dos gases de efeito estufa são os mesmos poluentes monitorados pela CETESB em São Paulo, eles são provenientes do modal de transporte rodoviário de nossa cidade e de outras atividades humanas como produção de energia e os resíduos sólidos orgânicos em processo de decomposição nos aterros sanitários. Em 2015 durante a COP 21 (21ª Conferência das Nações Unidas sobre as Mudanças Climáticas), foi firmado o Acordo de Paris. Compromisso mundial firmado entre 195 países com meta na redução da emissão de gases do efeito estufa. A principal meta do Acordo de Paris é manter o aumento da temperatura do planeta bem abaixo dos 2ºC, para garantir um futuro com baixa emissão de carbono, adaptável, próspero e justo para todos. O Brasil comprometeu-se a reduzir até 2025 suas emissões de gases de efeito estufa em até 37% (comparados aos níveis emitidos em 2005), estendendo essa meta para 43% até 2030.
As mudanças climáticas constituem o Objetivo do Desenvolvimento Sustentável n° 13 da Agenda 2030 da ONU.