É incontroverso que o homem é um ser essencialmente gregário e que sua trajetória será cumprida em meio a sociedade que pertence a qual prestará contas, sobretudo, sobre seu comportamento.
Essa assertiva, além de ser um tema recorrente para os filósofos desde a antiguidade até os dias atuais, guarda convergência com a postura moral e ética que toda pessoa deve ter nas relações humanas que mantêm.
Das definições teóricas existentes pode-se abstrair que a moral relaciona-se com costumes, condutas, regras e preceitos que são característicos de uma dada sociedade ou grupo social, e, a ética com o comportamento moral dos homens em sociedade, ou seja, a forma específica de comportamento humano.
Moral seria dever e prática consciencial, respeitado o livre-arbítrio, enquanto ética o modo de ser. No entanto, ambas são inseparáveis na plenitude de uma transformação que oriente o ser pensante para as finalidades da sua evolução.
Transmitir princípios de moral e ética é muito mais do que transmitir lições contidas em livros, porque consiste na arte de formar o caráter e incutir hábitos. É por isso que ambas se desenvolvem no seio da família, célula básica da sociedade, por meio do convívio fraterno, e, a partir dali, expandem-se pelas leis universais de justiça com reciprocidade, onde devem prevalecer os princípios de liberdade, igualdade e fraternidade.
A doutrina espírita trabalha a questão da moral e da ética em consonância com as lições contidas no Evangelho Segundo o Espiritismo, o qual se baseia nas máximas morais do Cristo e busca o conhecimento da Verdade.
A natureza da doutrina espírita é ético-educativa-consoladora e sua finalidade é a união da Criatura com o Criador, sendo esse é o seu aspecto religioso.
Oportuno lembrar que a didática empregada por Jesus propõe o conhecer a si mesmo, conhecer sua essência e potencialidade, conhecer e praticar a ação ética, unir ao Ser Infinito Absoluto (Deus), o Ser Infinito relativo (espírito) e sintetiza os postulados de fazer o bem ao próximo, o exemplificar si mesmo e amar a Deus sobre todas as coisas. Aquele que procura vivenciar Suas lições “é reconhecido por sua transformação moral e pelos esforços que emprega para domar suas inclinações más” (item 4, cap. XVII, de O Evangelho Segundo o Espiritismo).
A doutrina espírita possibilita àqueles que ainda não formaram sua ética autônoma e, por consequência, contrariam os preceitos morais da sociedade, auxilio para a formatação de imperativos éticos suficientes para o bem viver material e espiritual, na certeza de que esta existência prepara nosso espírito para seguirmos rumo à perfeição em futuras encarnações.
O Livro dos Espíritos, na questão 685, alerta que a educação não é só a transmissão de lições dos livros, mas consiste na arte de formar o caráter, de incutir hábitos, pois educação é o conjunto dos hábitos adquiridos.
Todos são livres para ponderar sobre os atos da forma como querem, para se afastar dos excessos, para fitar o próximo com assimetria, enfim, para escolher fazer mais do que a lei exige e menos do que a lei permite.
Agir assim é reconhecer que o arbítrio aumenta a responsabilidade pessoal que se tem de não só em trabalhar para a própria evolução, mas, também, de servir como exemplo, colaborando para o progresso dos nossos semelhantes e para a construção de um mundo mais justo e perfeito.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca