A sociedade mundial está passando por muitas transformações que estão gerando novos medos e preocupações. De fato, há uma nítida perda existencial que tem levado muitas pessoas, de todas as faixas etárias, a graves crises depressivas e suas nefastas consequências.
É senso comum que a humanidade vive tempos marcados por contraposições e conflitos nas relações humanas que criam duas realidades. De um lado, temos o estrondoso avanço científico e tecnológico que, sob vários aspectos, melhoram a qualidade de vida das pessoas. E, por outro lado, constatamos o esgarçamento das relações interpessoais, inclusive com o distanciamento entre as pessoas, criando um vazio existencial.
Há quem diga, e eu ouso concordar, que a humanidade vive uma época de duas realidades: o avanço científico e tecnológico e o vazio existencial. Nitidamente isso gera inquietação, medo e desesperança e, ao mesmo tempo, euforia, esperanças e oportunidades.
Mas, se o mundo atual é complexo, volátil, pleno de desafios e as relações humanas são marcadas por conflitos e entrechoques mais ou menos acentuados em diferentes partes do planeta, é preciso lembrar que o ser humano é o único ser inteligente e, essencialmente, gregário, ou seja, que vive em sociedade. Desse modo, como caracterizado na visão aristotélica, não pode suportar a ideia de estar só consigo mesmo, simplesmente porque é uma unidade substancial de alma e corpo, de modo que não pode se deixar abater numa fragilidade moral, que seus sentimentos éticos e morais eram reduzidos e sua ambição desenvolvida.
Se este é um momento histórico de grandes mudanças, de intensas e rápidas transformações, tais mudanças não podem desordenar o conteúdo moral construído ao longo de séculos, devendo ser preservados os preceitos basilares da sociedade. O mundo já passou por mudanças conceituais sem alterar suas estruturas sociológicas estabelecidas, como, por exemplo, percebemos das lições trazidas por Jesus inseridas em Mateus 5:17 e 22:37 a 40, ao dizer “não penseis que vim destruir as Leis ou os Profetas. Eu não vim para anular, mas para cumprir”, de modo que devemos “amar o Senhor, seu Deus de todo o seu coração, de toda sua alma e de todo entendimento” e “ao próximo como a si mesmo”, pois destes dois mandamentos dependem toda a Lei e os profetas. Aqui, constatamos uma enorme mudança conceitual na aplicação da lei mosaica, sem alterar suas disposições, e isso gerou e continua gerando uma transformação comportamental ao explicitar que o “amor” a Deus e ao próximo como a si mesmo são fundamentais para o bem viver material e espiritual.
Portanto, para os tempos de hoje, a ciência e a tecnologia têm de ser ferramentas para o bem viver e não motivo de introspecção, isolamento ou dificuldades com o lidar com os estímulos do ambiente externo. Enfim, no processo de autoiluminação é preciso buscar compreender os desafios da vida em sociedade e que a tecnologia deve ser um instrumento facilitador para o bem viver, sem afastar o ser humano dos verdadeiros valores da vida. As lições do Cristo seguem atuais simplesmente porque o amor, enquanto a força que transforma o destino, desarma e acalma os corações, de modo que continuam sendo o instrumento hábil para a tomada de todas as decisões.
Governador 2006/2007 do Distrito 4430 de Rotary International.