Os padrões atuais têm sido estabelecidos pelo que as pessoas possuem materialmente. As questões materiais, que são absolutamente transitórias, se sobrepõem às conquistas espirituais.
Sem desmerecer a importância e necessidade de se buscar o conforto propiciado pelos bens materiais e às riquezas terrenas, há de se ter cautela em relação aos abusos, apegos e excessos de toda espécie que causam consequências desagradáveis e desequilíbrios de toda ordem.
A matéria tem sido sobreposta ao espírito tornando-se um obstáculo para o seu crescimento, quando na verdade deve ser um instrumento para tanto. Essa situação cria evidentes entraves ao adiantamento espiritual individual e coletivo do planeta, de modo que é preciso fugir desse ciclo vicioso que impõe critérios de conquistas materiais e valoriza o “ter” em detrimento do “ser”.
Aparentemente, as pessoas se esquecem que Jesus, quando maliciosamente provocado com a indagação se seria lícito pagar tributos perguntou de quem era imagem que constava da moeda, respondeu: “Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus.” (Marcos 12:13-17, Mateus 22:15-22 e Lucas 20:20-26) e que ao ser indagado por Pôncio Pilatos se era rei disse: “O meu reino não é deste mundo. Se o meu reino fosse deste mundo, os meus súditos pelejariam, para não ser eu entregue aos judeus; mas agora o meu reino não é daqui.”(João 18:36).
Essas e outras passagens evangélicas evidenciam que a vida terrena, que deve ser bem vivida, oportuniza a busca e o crescimento do verdadeiro eu, que transcende a matéria para valorizar o espírito. Em Mateus 6:19-20 já há o seguinte alerta: “Não acumuleis para vós outros tesouros sobrea terra, onde a traça e a ferrugem corroem e onde ladrões escavam e roubem; mas ajuntai para vós outros tesouros no céu”.
Daí a importância de se trabalhar por uma grande e verdadeira reforma capaz de transformar o mundo, a qual deve começar no coração de cada pessoa. De fato, de nada vale pretender mudar o mundo se essa mudança não começar no íntimo de cada um. Afinal, aquele que busca viver a vida sem perder de vista a prevalência do espírito tem maior interação com que chamamos de divino e, como consequência, paz interior.
Quando a individualidade entende que representa uma tarefa a ser desempenhada e que depende da sua livre vontade e esforço alcançar tal feito, mais facilmente se concretiza a somatória das individualidades em busca do bem e do amor, simplesmente porque a maior riqueza não é deste mundo.
Deus, inteligência suprema e causa primeira de todas as coisas, oportuniza a melhor maneira para o bem viver ao mostrar que há somente dois caminhos a serem seguidos. Compreender e aplicar a necessária interação entre as conquistas materiais e espirituais gera o progresso e a harmonização individual, bem com viabiliza a paz coletiva.
Como a riqueza espiritual são conquistas como as ações fraternas, o amor ao próximo, os conhecimentos e as qualidades nobres, que nesta jornada existencial toda pessoa, dentro do livre-arbítrio, possa refletir e compreender que devemos conquistar e possuir bens materiais, mas não podemos, pelo apego, egoísmo e excessos, ser possuídos.
Enfim, objetivar e concretizar uma reciclagem existencial ressignifica a nossa vida, minimiza o sofrimento emocional ao propiciar lições de fraternidade, de justiça e de caridade, e, sobretudo, viabiliza a evolução a espiritual individual e coletiva do planeta.
Paulo Eduardo de Barros Fonseca
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