O investigador especializado em roubos à banco, Luiz Jacinto Nepomuceno, mais conhecido como Neto, visitou a redação do Semanário da Zona Norte, na quarta-feira, dia 31 de julho. Ele foi recebido pelo jornalista responsável do jornal João Carlos Dias.
Na ocasião, Neto falou sobre sua infância e adolescência na Vila Carolina, periferia de São Paulo, pertencente ao distrito do Limão na Zona Norte, da sua trajetória profissional na Polícia Civil e da importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte.
Neto também comentou a vida difícil que teve na periferia, e que com muita dedicação e apoio foi educado pelos pais Osmar Augusto Nepomuceno, de 76 anos, e dona Elenir Alves Nepomuceno, de 70 anos, servidor público municipal e dona de casa respectivamente.
“Nasci e fui criado na Vila Carolina onde ainda resido. Tenho muito orgulho desta comunidade e das pessoas que vivem e trabalham nela. Apesar das dificuldades, meus pais Osmar Augusto Nepomuceno e Elenir Alves Nepomuceno ofereceram muito conforto para mim e minhas irmãs Laudirene Nepomuceno (in memorian) e Andressa Nepomuceno. Costumo dizer que a Vila Carolina é um lugar de gente feliz. Estudei em escola pública e tenho muito orgulho em falar nisso, pois aprendi muito com os professores e diretores da escola, além de ter feito vários amigos. Realmente, me tornei um adolescente autosustentável. Comecei a trabalhar cedo. Trabalhei numa oficina mecânica, numa bicicletaria, na Editora Azul do Grupo Abril e na Volcan, concessionária de caminhões. Mas sempre me interessei pela área policial. Tive inspiração no meu primo Willian Fogaça, delegado de polícia e no meu tio Vagner Nepomuceno, delegado da Polícia Federal, ambos aposentados. Prestei vários concursos públicos até chegar a investigador da Polícia Civil.
Minha trajetória como investigador começou em 1994. Trabalhei no Departamento Estadual de Investigações Criminais (DEIC), na Delegacia Especializada em Roubo à Banco e na Delegacia do Meio Ambiente de Barueri. Sou muito grato pelos profissionais pelo qual tive a honra de trabalhar. Cito o exemplo do delegado de segurança pública, Rui Ferraz Fontes. Um excelente profissional que me ensinou muito”.
Questionado sobre fatos relevantes que marcou sua carreira, Neto mencionou dois fatos marcantes: A prisão de Marcola, assaltante de bancos, considerado pelo Estado de São Paulo como líder da organização criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), está preso desde 1999, com passagens por diversos presídios e penas que somam mais de 300 anos; e do assalto ao Banco Central do Brasil, fato que teve grande repercussão na mídia brasileira e mundial, além de ser inspiração para o filme “ Assalto ao Banco Central (2011), escrito por Renê Belmonte e dirigido por Marcos Paulo.
“A prisão de Marcola e o assalto ao Banco Central foram os fatos mais relevantes da minha carreira e que nunca mais esquecerei. Outro fato relevante que também me recordo é a prisão de ladrões de carga. Na ocasião, vinha de Itapira, interior paulista, com minha filha Laura, de 14 anos. Durante o trajeto avistei um suspeito dentro de uma carreta que seguia em direção à Marginal Tietê. A carga roubada estava estimada em R$ 1.300.000,00.
Imediatamente, acionei minha equipe e prendemos o suspeito e outros ladrões próximo ao DEIC. A ação teve a participação e apoio do Departamento de Polícia Judiciária da Capital (DECAP)”, ressaltou o investigador.
Neto destacou ainda em sua entrevista a importância das mídias regionais, em especial o Semanário da Zona Norte.
“O jornal Semanário da Zona Norte é uma importante mídia da região, pois divulga os fatos com veracidade e credibilidade, além de ajudar a comunidade local. Parabéns ao diretor João Carlos Dias e toda sua equipe. Eu e o João temos um amigo em comum, o Polonês, o qual tenho muito apreço e gratidão”.
Homenagem
Durante sua visita ao jornal o investigador Luiz Jacinto Nepuceno Neto prestou uma linda homenagem aos seus pais Osmar Augusto Nepomuceno e Elenir Alves Nepomuceno pelo aniversário de 54 anos de casamento. “Obrigado meu pai Osmar e minha mãe Elenir. Sou muito grato pela educação de vocês. Através de vocês me tornei uma pessoa do bem.
Na oportunidade, ele presenteou os pais com mimos do Corinthians, time de coração da família Nepuceno.
De acordo com o pai Osmar, Neto é um excelente filho e profissional. “Meu filho é muito especial e dedicado, além de amar sua profissão. Ele se orgulha do bairro onde nasceu, a Vila Carolina”.
O pai, servidor público municipal disse como foi sua vida e de sua família na periferia de São Paulo. A Vila Carolina é um lugar onde todos se conhecem, porém precisa ser mais reconhecida pelo Poder Público. O local está muito esquecido pelos políticos da região. Falta farmácia, hospital e lugares para entretenimento e cultura. O bairro possui 76 anos, mas ao contrário de outros bairros próximos, não se desenvolveu. A maioria dos munícipes reclama da falta infraestrutura. O bairro, pertencente ao Distrito do Limão, possui um restrito comércio e não há local para se divertir. Pedimos aos políticos que prestem mais atenção e se dediquem à nossa Vila Carolina”.
Sr. Osmar também contou a história do bairro Vila Carolina onde nasceu e criou os filhos e vive até hoje.
Segundo ele, a vila é pouco conhecida, já o distrito do Limão é bastante desenvolvido e conhecido.
“A Vila Carolina é um bairro situado na Zona Norte da cidade de São Paulo, especificamente no distrito do Limão. Já o Limão é um distrito de São Paulo situado na Zona Norte do Município. Pertencente à Subprefeitura da Casa Verde, no dia 1º de outubro estará completando 103 anos. Em meados do século 19 essa região que compreende Bairro do Limão e adjacências não passava de um vasto terreno ocupado por sítio e chácaras. A região começou a ser habitada pelos antigos da Freguesia do Ó. Nessa época, contam os antigos, foi encontrado um pé de limão bravo, bem na divisa dos dois bairros, daí o nome de Bairro do Limão. Antes de ser loteado, já existia alguns sítios no local, mas foi somente em 1921, que uma empresa imobiliária, a Matheus Bei, o loteou. Na década de 1930, entretanto, é que se intensificou a instalação das primeiras famílias no bairro, dentre elas, as do: Coronel Tristão, Siqueira; Penteado, Pedroso, depois vieram as famílias Primon, Gios, Cavallini, de Morais, Mendes de Oliveira, Figueiredo, Apolinário, Cápua. Logo depois o Limão começou a se desenvolver e, em 1939, já era criada a Paróquia de Santo Antônio do Limão. Foi em 1935 que chegou a primeira linha de ônibus, era a linha 92, que saia da Barra Funda e ia até a Vila Santa Maria, passando pelo Limão. Em 1954, a linha 78, que ia até a Barra Funda, vindo do centro, passou a subir até o Limão. Já em 1964, a antiga linha 78 passou a ser a 922, que ligou o bairro ao Jardim Paulista”, destacou Sr. Osmar.
O pai de Neto ainda mencionou as características do bairro e sua infraestrutura.
“O Limão é uma região de classe média e com grande atividade industrial e foi valorizado após a construção da nova sede do jornal O Estado de São Paulo e de uma unidade do hipermercado Carrefour. É caminho para bairros como Vila Nova Cachoeirinha, Brasilândia e Freguesia do Ó. Suas principais vias são: Avenida Celestino Bourroul, Avenida Deputado Emílio Carlos, Avenida Antônio Munhoz Bonilha, Rua Carolina Soares, Rua Roque de Moraes e Avenida Clávasio Alves da Silva”, comentou.
“O bairro do Limão conta com uma boa infraestrutura de transportes, possuindo amplas avenidas, das quais se destacam a Avenida Inajar de Souza (no limite oeste com a Freguesia do Ó), a Avenida Celestino Bourrol, a Av. Engennehrio Caetano Álvares, a Av. Nossa Senhora do Ó e a Av. Deputado Emílio Carlos. Há também um posto de saúde, próximo ao Hospital de Vila Nova Cachoeirinha, indústrias, um grande número de residências, boas escolas públicas e particulares e variados serviços, tendo acesso bastante facilitado pela Marginal do Tietê. Nos bairros vizinhos, em especial na Barra Funda, há um grande número de faculdades, como a Uninove e Unip. Constituído a partir de chácaras antigas na região, sua urbanização se inicia principalmente na década de 1930. É vizinho de importantes bairros, como a Lapa, Barra Funda, Freguesia do Ó, Pompéia e Casa Verde. Há um projeto de construção de uma estação de metro em 2012 na região da Freguesia do Ó, vizinha do bairro, o que beneficiará em muito toda a região. Atualmente, há um grande número de condomínios de edifícios sendo construídos na região”, disse.
A Ponte do Limão também foi mencionada pelo Sr. Osmar.
“A Ponte do Limão é uma ponte que cruza o Rio Tietê e constitui uma importante obra do sistema viário da Marginal do Tietê, sendo hoje uma das mais movimentadas do mesmo. Ela interliga a porção norte da Avenida Ordem e Progresso, na divisa entre os bairros do Limão e Casa Verde à porção sul da mesma avenida, já no bairro da Barra Funda”.
O tradicional samba no pé do bairro também foi um dos pontos destacados pelo Sr. Osmar.
“O bairro tem uma grande tradição carnavalesca, pois nele se localizam as escolas de samba Unidos do Peruche e Mocidade Alegre. O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Unidos do Peruche é uma das mais tradicionais escolas de samba da cidade de São Paulo, criada na década de 1950 a partir de um grupo de amigos que participavam da escola de samba Lavapés. A escola é conhecido como “a filial do samba” e possui em seu pavilhão as mesmas cores da bandeira do Brasil. O Grêmio Recreativo Cultural Escola de Samba Mocidade Alegre é uma escola de samba da cidade de São Paulo. Foi campeã do Grupo Especial várias vezes, e intitula-se a Morada do Samba”, concluiu.